Hermeto Pascoal escolhe piano para representá-lo no teatro de objetos

Animais criados com jarras e taças por dois amigos que planejavam fazer um piquenique no zoológico, um balé dançado por um homem com uma retroescavadeira, histórias contadas por duas mulheres com tecidos e guarda-chuvas. Artistas que criam espetáculos teatrais com ideias como estas ou que fazem música com os mais diversos objetos estão se apresentando gratuitamente no Marco Zero. Eles fazem parte da programação do Festival Internacional de Teatro de Objetos (Fito), que termina neste domingo (16/9/2012).

No Teatro de Objetos, o uso criativo de artigos simples do cotidiano das pessoas desperta a curiosidade do público. A habilidade e a imaginação dos artistas podem fazer com que uma simples caneta, por exemplo, se transforme em um personagem. O Caderno C perguntou a alguns dos artistas que se apresentam no Fito qual objeto eles escolheriam para representá-los em um espetáculo deste tipo de teatro.

Cia. Truks

Henrique Sitchin, da Cia. Truks (SP), resumiu: “Eu diria que sou uma chave disposta a abrir qualquer tipo de porta que aparecer em minha frente”.

A Truks participa do Fito com o espetáculo Zoo-Ilógico, no qual é contada uma das histórias citadas no começo deste texto. Dois amigos vão ao zoológico para fazer um piquenique, mas encontram o local fechado. Só que eles não perdem o passeio. A dupla usa as jarras, bandejas, taças e frutas para criar animais.

Hermeto Pascoal

O compositor Hermeto Pascoal pediu que o púbico levasse objetos de casa para o show que ele fez no Fito neste sábado (15/9). O alagoano respondeu à pergunta dizendo que o objeto eleito para representá-lo seria um piano. “O Hermeto escolheu o piano porque disse que ele é o instrumento mais completo, é o pai dos instrumentos. Pode representar a música em qualquer estilo! Faz a parte do ritmo, da melodia, da harmonia…”, completou Aline Morena, integrante do grupo de Hermeto.

Hermeto Pascoal Fito Divulgação
Hermeto Pascoal. Foto: Fito

Peter Ketturkat

“Eu escolheria a minha calçadeira como meu objeto favorito. Na verdade, não é um objeto, porque ele tem uma personalidade. E ele deixa claro que não vive por conta própria. Ela precisa de seu oposto, o sapato, para estar vida. Assim, cada coisa tem o seu oposto para ser. A calçadeira, o sapato; o botão, a casa; o saca-rolha, a garrafa com uma rolha; o dia, a noite; e assim por diante. Desta maneira, a calçadeira e o sapato são apenas um exemplo para o que mantém o mundo girando”, explicou Peter Ketturkat (Alemanha).

A cozinha louca é o nome do espetáculo apresentado por Peter no Fito. Ele começou a sua pesquisa com objetos em 1979 e, nesta obra, cria os personagens com utensílios de cozinha.

A Cozinha Louca - Peter Ketturkat
A Cozinha Louca – Foto: Peter Ketturkat

Cia. Chemins de Terre

A Cia. Chemins de Terre (Bélgica), fundada em 1988, participa do festival com Polichinelo de Gavetas. Os objetos usados pelo ator Stéphane Georis para contar “passagens curiosas, engraçadas e trágicas da vida cotidiana” são retirados das gavetas de um armário.

“(Eu escolheria) um alho poró, eu acho. Este vegetal muito estranho vindo da Europa. Ele é alto e muito branco. Ele não é daqui. Você pode ver um tipo de cabelo na parte superior, como se ele estivesse surpreso com tudo, mas feliz por estar no Brasil. Como eu…”, afirmou Stéphane.

* O texto foi originalmente publicado no Jornal do Commercio.

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