História da Escola de Belas Artes de Pernambuco é contada em exposição

Ao preparar a sua primeira exposição coletiva, alunos da primeira turma do curso de Museologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) escolheram como tema parte importante da história das artes visuais no Estado, a trajetória da Escola de Belas Artes de Pernambuco, instituição que funcionou no Recife de 1932 a1976. O grupo reuniu telas pintadas pelos fundadores da escola, fotografias da época e também alguns depoimentos de ex-alunos. A exposição Belas Artes: uma história em Pernambuco pode ser visitada a partir desta terça-feira (19/02/2013) no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), que é parte do Centro Cultural Benfica. A inauguração começa às 19h30.

“Há quatro anos, não havia uma exposição com o acervo do Centro Cultural Benfica. A gente escolheu mostrar esta parte específica da Escola de Belas Artes de Pernambuco. Eu considero que é o acervo mais precioso que a gente tem na UFPE”, afirma a professora do Departamento de Antropologia e Museologia da UFPE, Emanuela Ribeiro, que fez doutorado em História. Ela coordenou o projeto de desenho da mostra e curadoria feito pelos doze alunos.

“Primeiro, a ideia da gente era lembrar a Escola de Belas Artes de Pernambuco no Recife. Queríamos mostrar como a escola funcionava, qual era proposta dela. Este acervo fica normalmente guardado. A Escola fechou em 1976, algumas das telas não eram expostas há 40 anos. A gente tem um quantitativo pequeno, mas são obras valiosas por sua antiguidade e por serem criações dos fundadores da escola. Estamos trazendo algumas fotografias também e uma coisa que chama muita atenção é poder ver como as pessoas se comportavam na época. O perfil dos estudantes era muito diferente”, explica Emanuela, que espera receber um público bem diversificado no IAC.

A exposição está organizada em quatro espaços, que destacam diferentes aspectos da história da Escola de Artes Plásticas de Pernambuco. Na primeira sala, o visitante encontra informações sobre a fundação dela, por um grupo de artistas que queria criar na cidade um local para a transmissão de conhecimentos artísticos. Cursos de arquitetura, pintura e escultura foram os primeiros a serem oferecidos na instituição. Depois, em 1958, entraram na lista os de música e arte dramática”.

“Em outra sala, fala-se sobre o período de funcionamento da escola, quando ela foi reconhecida e equiparada à Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. Na terceira, está o finalzinho da história dela, o período de fechamento. Depois, temo a sala que vai continuar após o término da exposição, com o mobiliário original da escola”, explica Emanuela.

“A gente quer que as pessoas tenham uma percepção de como era o mundo da época. Vê-se nessas imagens todo mundo de paletó e gravata, por exemplo. Acho que uma das coisas mais ricas na exposição são estas fotografias. Temos também uma sala interativa, com falas de ex-alunos da Escola, os artistas plásticos Tereza Costa Rêgo e Gil Vicente, para pensar sobre o que tudo isso significou (para as artes visuais em Pernambuco)”, apresenta Emanuela, que gostaria de repetir a experiência de uma exposição coletiva com outros alunos do curso. “Está tudo dando tão certo, a gente espera que continue assim e que a gente possa fazer com outras turmas”, comenta a professora.

Na mostra Belas Artes: uma história em Pernambuco, o visitante encontra obras de artistas como Vicente do Rego Monteiro, Gilvan Samico, Murillo La Greca, Teles Júnior, Baltazar da Câmara e Mário Nunes – foi no ateliê que Mário dividia com o também pintor Álvaro Amorim, na Rua Joaquim Távora (atualmente, Rua 1º de Março, no Bairro de Santo Antônio) que aconteceu a reunião do grupo que planejou criar a instituição.

Alguns marcos na história da Escola de Belas Artes de Pernambuco

  • Após a reunião em agosto de 1932, os artistas criaram o Comitê pró-Escola de Belas Artes de Pernambuco.
  • O prédio 150 da Rua Benfica foi inaugurado para os cursos. Depois, foi comprado pelo Governo de Pernambuco e doado à escola.
  • Murillo La Greca, Hermilo Borba Filho, Vicente do Rego Monteiro e Acácio Gil Borsoi, entre outros, deram aulas na escola.
  • No fim da década de 1940, a Escola de Belas Artes foi agregada à Universidade Federal de Pernambuco.
Alunos da Escola de Belas Artes de Pernambuco, em 1932. Reprodução: Flávio Amara.
Aula na Escola de Belas Artes de Pernambuco. Reprodução: Flávio Amara.

* O texto foi originalmente publicado no Jornal do Commercio.

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