Olhavê ganha livro de entrevistas sobre fotografia

Quando o fotógrafo e jornalista pernambucano Alexandre Belém criou o blog Olhavê , ele pensava em ter “apenas um lugar para trocar ideias e divulgar o meu material”, como explicou no primeiro post. Só que o projeto cresceu e os leitores podem acompanhar o trabalho de várias pessoas envolvidas na comunidade fotográfica, através de entrevistas, seções como “a foto que eu queria ter feito” ou nas conversas que surgiam nos comentários, por exemplo. Agora, quando o blog está prestes a completar seis anos no ar, Belém dá mais um passo na perpetuação deste trabalho com o livro Olhavê Entrevista (Tempo d’Imagem, 200 páginas), que é lançado neste sábado (23/03/2013), às 18h, no Bogart Café, na Boa Vista.

O Olhavê foi criado em setembro de 2007. Uma das 14 seções do blog é dedicada justamente às entrevistas, feitas com a colaboração da professora e pesquisadora Georgia Quintas. “Acho que eu tive um feedback de fato com as entrevistas, foi quando o blog ganhou corpo de fato. Desde o começo, o importante para mim não era ter muita audiência, mas uma boa audiência, com fotógrafos, professores, curadores, galeristas, a comunidade fotográfica”, afirma Belém, que atualmente mora em São Paulo.

“Sempre fui rato de revista e, para mim, entrevista é o carro chefe, a coisa mais interessante de todo o jornalismo. Preparando o livro, li tudo de novo várias vezes, são entrevistas atemporais. As entrevistas de Cássio Vasconcelos, Claudio Versiani, por exemplo, são aulas mesmo. Foi muito rico para mim, estas entrevistas são aulas para os fotógrafos, para quem trabalha com jornalismo, com arte”, completa.

“Daqui a 30 anos, não sei se vai ter este link, este servidor. Mas tenho certeza de que aqui a 60 anos vai ter esse livro em alguma biblioteca, um sebo”, explica o fotógrafo, sobre a importância de publicar este material, o valor de um livro como memória para as gerações futuras.

A fotografia foi tema de 27 conversas com outros fotógrafos, jornalistas, pesquisadores e curadores (elas são publicadas na íntegra no livro). O perfil dos convidados é bem variado, assim como os assuntos abordados nas conversas: publicidade, mercado de artes, curadoria, crítica, pesquisa, publicações, exposições, tecnologias, o processo de realização de projetos e pautas, história da fotografia, considerações sobre o panorama atual, etc.

“O Olhavê virou a minha vida. Tem a Escola Madalena Centro de Estudos de Imagem (iniciativa do grupo formado por ele, Iatã Cannabrava, Clicio Barroso e Claudi Carreras), faço curadoria, escrevo, várias outras coisas. O trabalho continua com o blog Extraquadro, de Georgia, e o Sobreimagens, que tenho ni site da Veja. Tenho interesse em continuar com as entrevistas no Olhavê, já conversei com algumas pessoas e pretendo fazê-las em outro formato”, afirma Belém, tem outros livros entre os planos para 2013: “O projeto é lançar mais dois livros. Um deles, com a tese de doutorado de Georgia, sobre álbuns de família da Coleção Francisco Rodrigues (Fundação Joaquim Nabuco), este já na fase final. E também um livro fruto do Extraquadro, só com textos teóricos”, adianta.

* O texto foi originalmente publicado no Jornal do Commercio.

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