Raul Córdula escreve sobre história da arte em Olinda

“Não estou fazendo muito mais do que devolver”, afirma o artista plástico e professor Raul Córdula sobre o livro Utopia do Olhar. Na publicação, este paraibano apaixonado por história, especialmente pela história da arte, toca em pontos importantes das artes visuais de Olinda, cidade que escolheu para viver. O projeto foi aprovado no Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) e o lançamento está previsto para o mês de maio. Os exemplares da primeira edição serão distribuídos em locais como museus e galerias.

Raul nasceu em Campina Grande e, em 1960, fez sua primeira exposição individual na Biblioteca Pública de João Pessoa. A relação do artista com Olinda começo cedo. “Eu pegava um ônibus em João Pessoa e vinha para Olinda no início dos anos 1960, havia uma série de ateliês no Amparo. Eu descia no Varadouro, tomava cerveja e ia para a Ribeira dançar coco. Pegava o ônibus de volta às 6h, a gente ia dormindo. A minha aproximação com Olinda vem de muito tempo, minha irmã Risoleta (crítica e curadora) começou a me apresentar aos artistas”, afirma Raul, que atualmente trabalha em um ateliê no Varadouro.

“Venho escrevendo estas crônicas há 30 anos e notei que, de repente, tinha esta linha do tempo e resolvi fazer o livro. A geração que começou esta história aqui em Olinda agora tem cerca de 80 anos ou mais. Guita Charifker, Samico, Baccaro, Tereza Costa Rêgo, Maria Carmem… Antenor (Vieira de Melo, que faleceu em fevereiro) foi uma perda violenta para nós. Mas ele deu uma entrevista fantástica para mim, super entusiasmado, ele estava no pique”, comenta Raul, que, neste processo de preserva momentos cruciais na história das artes da cidade, reuniu material para outro livro que pretende lançar, Olindenses.

“Olinda como a cidade dos artistas” é o tema de uma das aulas do curso que Raul ministra esta semana, na Arte Plural Galeria: Artes visuais no Recife – do moderno ao contemporâneo – as aulas começaram segunda-feira (22/04/2013). “A ideia do curso surgiu quando eu estava preparando o livro Utopia do olhar e também de uma observação sobre a necessidade de formação de público para o artista local. O que se pretende é organizar esta informação relacionando as etapas importantes. Para o segundo semestre, já estamos planejando outro curso, com um aprofundamento”, afirma Raul, que também é professor aposentado de história da arte pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Colecionador de arte

“Outro fenômeno que tenho observado (na cidade) é o aparecimento de muitos colecionadores jovens. Vi isso no leilão de Braz Marinho de forma entusiasmante (o leilão foi organizado por artistas locais e realizado em março, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, em prol da família do pintor, que faleceu em fevereiro). Eram colecionadores de 30 ou 40 anos comprando vários trabalhos, teve gente que comprou 17 obras”, lembra Raul, que completa, sobre o mercado de arte que está se formando no Recife-Olinda: ‘Estão aparecendo pontos de venda importantes para os artistas, como Sobrado, leilões e consórcios, que eram uma mania nas décadas de 1970, 1980 e até um pouco da de 1990. E tem a Casa do Cachorro Preto, eles fizeram uma exposição interessante com Cavani Rosas agora, com ótimas vendas. Há uma movimentação”.

* O texto foi originalmente publicado no Jornal do Commercio.

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