Acervo da Província Franciscana começa a ser restaurado no Recife

Quem passa pela Avenida Dantas Barreto (bairro de Santo Antônio) não tem ideia do gigantesco trabalho que está em andamento no Edifício Santo Antônio – algo diferente do que ocorre nos espaços comerciais do prédio. Mas esse desconhecimento não deve durar muito, pois é lá que uma uma equipe tem se dedicado a identificar e organizar o acervo acumulado durante séculos por membros da Província Franciscana de Santo Antônio do Nordeste do Brasil. O material será disponibilizado para pesquisadores, através de terminais com acesso ao banco de dados, após a conclusão das duas etapas iniciais (a previsão é que isso ocorra em 2015). O projeto também prevê a montagem de uma exposição e o lançamento de um documentário sobre o tratamento do acervo.

O pai da iniciativa é o coordenador de Patrimônio da Província Franciscana, frei Roberto Soares de Oliveira. Ao ter contato com as raridades guardadas em vários conventos, o historiador teve a ideia de reuni-las para este processo, que inclui restauro e conservação. “O arquivo franciscano já existia, funcionava nos conventos. Criamos este projeto para facilitar o acesso para pesquisa e organizar tudo neste espaço de seis salas. Houve interesse de todas as províncias em colaborar”, lembra o frei.

A proposta Resgate Documental da Província Franciscana de Santo Antônio do Nordeste do Brasil foi uma das 134 contempladas pelo Programa Petrobras Cultural de 2012, entre 4.309 inscritos. Entre os escolhidos, há outro representante pernambucano, o Instituto Dom Hélder Câmara, com o projeto Preservar e Divulgar a Memória Documental de Dom Hélder.

“Esta iniciativa serve de exemplo não só para outras ordens coloniais, mas também para todas as instituições eclesiásticas, sobre a valorização de tudo que está escrito em papel. Quando se fala em patrimônio, as pessoas lembram das construções, mas esta outra parte também é importante. Se a gente não der valor a essa memória, não tem história completa. Este projeto fala sobre a importância da memória que está em folhas de papel”, afirma Débora Mendes, coordenadora do projeto.

Assegurado o espaço para guardar o acervo no Recife, neste edifício que pertence à Província Franciscana, o material foi coletado nas casas conventuais de Pernambuco (Recife, Olinda, Ipojuca e Sirinhaém), Alagoas, Bahia, Paraíba e Sergipe. “Os franciscanos chegaram a Olinda em 1585 e estamos descobrindo coisas do século 17 até o século 20. Acredito que ainda podemos ter belas surpresas por aí”, crê o frei Marcos Almeida, que colabora com a identificação dos conteúdos, por exemplo.

Só a parte bibliográfica do acervo já é numerosa e diversa. Há manuscritos, impressos, circulares conventuais, cartas papais, documentos avulsos e periódicos, entre outras raridades, como livros religiosos, uma Bíblia do século 16 ou títulos como História da Colonização do Brasil e Geografia de Portugal. Obras escritas em português, italiano, inglês, francês, latim e alemão gótico. Também está preservada a planta do próprio Edifício Santo Antônio, projetado pelo arquiteto Acácio Gil Borsoi.

Muita coisa já foi colocada nas estantes e arquivos móveis, mas a equipe tem um longo trabalho pela frente, pois algumas caixas permanecem fechadas. Mesmo com uma breve análise, já fica claro que o material oferece muitas possibilidades de estudo. “Estamos organizando o acervo entre os itens bibliográficos; o conjunto de obras raras; criando uma hemeroteca; tem a parte cartográfica, as fotografias, a parte de multimeios. Você pode observar a mudança das mídias também, na questão da fotografia, temos desde negativos em vidro até os slides. Temos documentos avulsos datilografados ou manuscritos em pergaminhos, livros com papel artesanal até o industrial”, cita a historiadora Cecília Canuto, responsável pela coordenação arquivística.

“Às vezes me empolgo e até esqueço de comer. Tem muito mais material do que o imaginado inicialmente. Por exemplo, chamamos um especialista semana passada para ver as condições de uma película e descobrimos mais dois filmes”, conclui Débora.

Alguns detalhes sobre o acervo da Província Franciscana de Santo Antônio

A equipe é composta por pessoas organizadas em várias funções: arquivista, bibliotecário, fotógrafo, historiador, paleográfico e restaurador.

No laboratório de restauro, o grupo já trabalha na limpeza do material. Para fazer isso, é preciso usar máscaras, luvas e uma bata.

À medida em que o material é retirado das caixas, é construído o inventário e os itens são colocados nas estantes e arquivos móveis. Eles são organizados de acordo com características como tema, data e localidade. Há, por exemplo, armários dedicados aos livros da Província Franciscana do Recife e de Ipojuca.

Até agora, foram encontrados itens dos séculos 17 até 20. Entre eles, algumas obras raras, manuscritos e pergaminhos. Como exemplo há uma Bíblia, do século 16, impressa em papel artesanal e costurada à mão.

O acervo também é composto por materiais como discos de vinil, cédulas e moedas antigas, carimbos e filmes em película, negativos e muitos álbuns de fotografia.

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