Paulo Bruscky mostra acervo sobre poesia de vanguarda e sonora

As primeiras obras e publicações podem ser vistas logo na entrada e, ao percorrer os cômodos do ateliê de Paulo Bruscky, elas se revelam em cada canto. A certeza é a de que ali habita alguém com intensa expressão criativa e, ao mesmo tempo, um espírito aguçado de colecionador. Deste acervo, que o artista tem alimentado há muitos anos, brotam mais dois frutos em breve: O livro A história da poesia de vanguarda no Brasil e uma exposição retrospectiva sobre a Poesia Sonora Brasileira, que será montada no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), na Boa Vista. Ambos serão vistos pelo público no segundo semestre de 2015.

Realizar tais projetos era uma vontade antiga, segundo o artista. A pesquisa para a publicação é empreendida por ele e Yuri Bruscky. O conjunto é abrangente. Lá estão pioneiros como Gregório de Matos e Sousandrade e também poetas do modernismo. Poesia concreta, poesia praxis, poema/processo, poesia marginal, poesia visual/experimental, poesia e novas tecnologias, poesia sonora e arte-correio também são citadas por Bruscky.

Textos de pessoas como Augusto e Haroldo de Campos, Oswald de Andrade, Décio Pignatari, Mário Chamie, Clemente Padin, Sérgio Bessa, Adolfo Montejo Navas e Thelmo Cristovam estarão na obra. Elaborada com design de Raíza Bruscky, ela também terá reproduções de cartas, manifestos, registros de exposições e bibliografia recomendada, entre várias outras coisas. Um CD com um recorte da Poesia Sonora Brasileira acompanha a publicação.

Bruscky lembra que a produção bibliográfica sobre a poesia de vanguarda é escassa. “Não existe um livro sobre poesia de vanguarda do Brasil com esta abrangência. Fizemos uma seleção em conjunto com as pessoas que estarão envolvidas no livro. Uma seleção por segmentos, por movimentos, do que seria representativo em cada um”, explica o artista Bruscky.

Poesia Sonora Brasileira

“Para a exposição a gente vai pegar poemas, filmes, objetos, catálogos, correspondência, fotografias, slides, livros, documentos, discos. Caetano tem aquele Viva Vaia (poema de Augusto de Campos). De toda esta produção eu tenho os originais. Tudo que eu acho, eu compro”, continua Bruscky, que adianta outra ideia para a mostra no Mamam: ter reproduções de algumas destas obras em fac-símile a fim de que as pessoas possam manuseá-las (para ler os Poemobiles de Augusto de Campos e Julio Plaza, por exemplo, é preciso desdobrar os papéis).

“Eu quero, separado desta parte dos movimentos, fazer uma mostra de Pernambuco, do Nordeste. Porque na história sempre o Nordeste sempre foi muito alijado. Eu quero uma sala mostrando esta produção. Mas, claro, com todo o Brasil bem representado. Você tem uma produção grande aqui e sempre muito boa. Fico feliz em deixar tudo isso catalogado e disponível, não fiz isso para mim”, afirma o artista.

O projeto educativo inclui visitas guiadas para pessoas com deficiência visual e o material para ser trabalhado com as crianças também já está sendo cuidado. “Queremos fazer um bom material, é importante para que as crianças tomem conhecimento disto. Algo que pegue todas estas informações de maneira acessível para elas. Uma pessoa da área já está pensando nesta cartilha. Me preocupo também com esta parte, você não pode reclamar que ninguém conhece as coisas se você não preparar o público para o futuro. Eu acho que você precisa dar uma colaboração dentro das suas possibilidades”, avalia.

* O texto foi originalmente publicado no Jornal do Commercio.

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