Casa do Patrimônio de Olinda funciona na Rua do Amparo

A maneira como a parte edificada, a vegetação e o mar se encontram no centro histórico Olinda fazem desta parte da cidade um lugar que cativa os olhos, inspira artistas e visitantes. Além deste reconhecimento informal, digamos assim, há também o marcado pelo título de Patrimônio Cultural da Humanidade. As experiências e histórias de quem habita e, portanto, também faz este ambiente é o foco da mostra ComeMorar Olinda, inaugurada na quinta-feira (09/04/2015), às 18h30, junto com a abertura da Casa do Patrimônio de Olinda, no Amparo.

O espaço é um escritório técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No evento de hoje, serão lançados os dois volumes do livro Barroco e Rococó nas Igrejas de Recife e Olinda, publicações bilíngues (português/inglês) de Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira e Emanuela Sousa Ribeiro. Além disso, a fachada da casa número 59 da Rua do Amparo será também a tela para uma projeção mapeada, feita pelo VJ Mozart Santos. Também haverá apresentações da banda Bonsucesso Samba Clube, Ana Lúcia do Coco, Maracatu Leão Coroado e Sambadeiras.

“A gente fez um grande esforço na tentativa de tornar a exposição o mais abrangente possível, ao procurar os moradores e perguntar a eles como é morar em Olinda. Eles é que nos contam as vantagens de se morar neste lugar e as idiossincrasias que o olindense também vive”, explica o museólogo e historiador Aluizio Câmara, curador da exposição sobre o mapeamento pelas áreas que compõem o Sítio Histórico da cidade.

Aluizio completa que o plano era fazer um mix de regiões e de perfis dos entrevistados. Entre eles, há desde pessoas que nasceram e até hoje moram em Olinda, até os que se mudaram para esta parte da cidade. Participaram pessoas como Dona Cleonice e Eduardo, esposa e filho do Lorde de Olinda, a família de artistas formada por Iza do Amparo, Catarina Dee Jah e Paulinho do Amparo, o artista e gestor cultural Carlos Trevi e o fotógrafo italiano Diego Di Niglio, entre outros. A partir destas entrevistas, foi feito o recorte temático.

A proximidade entre a rua e o interior das residências, experiência típica deste tipo de construção com janelas e portas na altura de quem caminha pela calçada, é lembrada na exposição. “A sala de estar da Casa remete ao que você vê pela janela das casas de Olinda, as cadeiras que você encontra em muitos casos”, cita Aluizio. “A ideia é que o visitante participe da conversa com os moradores. Alguns deles contam histórias engraçadas, peculiares”, continua o curador.

Nesta parte do projeto expositivo, que configura a parte da mostra chamada de Relembrar, também há fotografias. Um dos painéis é composto por imagens selecionadas entre o conjunto reunido pelo projeto Olinda – Memórias fotográficas. Idealizado por Lula Marcondes, Chico Rocha e Bruno Lima, ele resultou em um livro, lançado em janeiro de 2015. A publicação é formada por fotos do acervo pessoal dos moradores do Sítio Histórico, feitas desde o começo do século 20 até 1982 – ano em que Olinda recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

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“O Relembrar traz esta sensação de pertencimento, que é uma coisa bonita de se ver”, avalia o curador, que segue falando sobre o trecho seguinte da mostra: “Para conviver é preciso compreender o outro, o entorno de onde se vive, entender que você é parte disso e suas ações são importantes para o conjunto”.

O segundo espaço da exposição ComeMorar Olinda foi batizado justamente com este verbo, Conviver. “Ele é muito pautado na mensagem que o Iphan quer passar sobre o patrimônio tombado. E também em desmistificar a ideia que algumas pessoas têm de que nos imóveis desta parte de Olinda não se pode fazer nada. Fizemos painéis devotados a dar exemplos de boas reformas, que obedecem à lei e são aprovados pelo Iphan”, comenta Aluizio.

“E mostramos o interior das casas das pessoas, entramos com uma steadicam (câmera estabilizada). Nesta parte da exposição, vamos projetar vídeos dos moradores, como uma nova conversa, nos quais eles respondem como é morar em Olinda, relembram suas paixões, frustrações”, conta ele.

A terceira parte do percurso lembra outra leitura possível para o título da exposição. Em Celebrar, é dada ênfase ao patrimônio imaterial. “Queremos lembrar deste outro patrimônio olindense, além do que é feito com pedra e cal. Os fazeres, saberes, manifestações culturais, a parte religiosa, como o candomblé e a Procissão dos Passos dos católicos, por exemplo. As artes plásticas, o artesanato. Vamos projetar vários videoclipes cedidos por artistas que representam os músicos olindenses e propagandeiam a ideia do que é ser de Olinda, como a Eddie. A Bonsucesso, Alceu Valença e a Nação Zumbi são alguns dos que também colaboraram”, adianta o curador. “Celebramos a Olinda que está no imaginário das pessoas, lembra a dicotomia entre a Olinda cheia durante o Carnaval e a do cotidiano, quando a multidão se esvai.”

ComeMorar Olinda permanece aberta à visitação até janeiro de 2016. Aluizio lembra que estão programadas ações, neste período, como pequenas mostras no mezanino da Casa do Patrimônio de Olinda e palestras.

Casa do Patrimônio de Olinda – Rua do Amparo, 59, Carmo. Informações: 3429-2862.

* O texto foi originalmente publicado no Jornal do Commercio.

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