Stranger Things evoca atmosfera dos anos 1980

Na série Stranger Things, o desaparecimento de um menino de 12 anos transforma a vida dos moradores de pequena cidade localizada no interior dos Estados Unidos. Ao procurar por Will Byers (Noah Schnapp), familiares, amigos e policiais acabam entrando em contato com algo que estava escondido sob a aparência pacata daquele lugar. Lembrou de algum filme dos anos 1980? Não foi por acaso. A produção original da Netflix é mesmo uma homenagem aos filmes que marcaram a infância de uma geração. Os oito episódios da primeira temporada da série são disponibilizados nesta sexta-feira (15/7).

“Nós sentimos essa enorme nostalgia e amor pelos anos 1980, e queríamos muito ver algo na TV no estilo dos filmes clássicos com os quais crescemos: filmes de Spielberg, John Carpenter, e também os romances de Stephen King”, explica Matt Duffer, criador da série junto com o irmão, Ross.

“Para nós, o que torna essas histórias tão maravilhosas e tão marcantes é o fato de todas explorarem aquele momento mágico em que o ordinário encontra o extraordinário. Quando estávamos crescendo, éramos apenas crianças normais vivendo no subúrbio da Carolina do Norte e jogando Dungeons and Dragons com nossos amigos nerds. Mas, quando assistíamos a esses filmes e líamos esses livros, era como se fôssemos transportados. De repente, a nossa vida tinha um potencial para a aventura. Talvez no dia seguinte encontraríamos um mapa do tesouro no sótão, ou talvez meu irmão desaparecesse dentro de uma tela de TV. Nós tentamos criar esse clima em Stranger Things. Queríamos trazer essa sensação para as pessoas que cresceram com esses filmes – e também apresentar isso para uma nova geração”, continua ele no material de divulgação da série, que é apresentada pela Netflix como “uma declaração de amor aos clássicos dos anos 1980”.

Winona Ryder

Como reforço para a sensação nostálgica, a mãe do menino desaparecido é interpretada por uma atriz que iniciou sua ascensão naquela década: Winona Ryder. A personagem dela, Joyce Byers, cria os dois filhos sozinha. “Me inspirei muito nos trabalhos de Ellen Burstyn em Alice Não Mora Mais Aqui e Marsha Mason em A Volta de Max Dugan e As Duas Vidas de Audrey Rose“, revela Winona, que completa: “É um gênero que nunca explorei antes e me pareceu interessante. Tive muita sorte por poder realizar diferentes tipos de projetos na vida, então estava animada para experimentar algo novo”.

Matt afirma na divulgação da série que Winona é totalmente destemida: “Ela mergulha de cabeça, se entrega 100%, e era isso que queríamos para a personagem Joyce. Ela está sozinha na maior parte da história, perdendo noção da realidade enquanto passa por uma montanha-russa emocional”.

O outro filho de Joyce se chama Jonathan. Charlie Heaton, o ator que o interpreta, utiliza as características “autêntico” e “incapaz de subterfúgios” para descrever o personagem. Ele também afirmou que se identifica com Jonathan: “Eu também fui criado numa família disfuncional de classe baixa, e ele tem uma responsabilidade para com sua família”.

Em uma das cenas do trailer, Joyce cobra uma posição mais firme do delegado Hopper (David Harbour) sobre a situação de Will. “Eles se conhecem há muito tempo, ela sabe como provocá-lo, e vice-versa”, adianta o ator.

O diretor e produtor executivo Shawn Levy também fez elogios a David: “Não há um só momento em que ele não seja incrível, todos nós somos testemunhas de seu trabalho. Mas até agora ele não havia sido colocado no centro de uma história, em um papel principal”.

(Aviso de spoiler: A continuação do texto traz detalhes sobre a história de Stranger Things).

O mistério que envolve os personagens de Stranger Things está relacionado a experimentos secretos feitos pelo governo, forças sobrenaturais e a presença inusitada de uma menina, Onze (Millie Bobby  Brown). A história se passa em 1983, na cidade de Hawkins, Indiana. “Hawkins é uma cidadezinha comum, idílica, com pessoas comuns – ou seja, o local ideal para algum acontecimento sobrenatural”, afirma Ross Duffer.

As cenas foram gravadas em estúdio e também em algumas locações em Atlanta (Geórgia). Além do visual desejado, a equipe achou na cidade alguns objetos antigos que foram utilizados em cena. “Encontramos essas casas incríveis que pareciam cápsulas do tempo saídas direto do final dos anos 1970 e do início dos anos 1980. A gente entrava e comprava tudo, até mesmo o que consideravam lixo”, explicou a cenógrafa Chris Trujillo.

Will tem um grupo de amigos formado por Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo). Os meninos gostam de conversar sobre experimentos científicos e jogar Dungeons and Dragons – algo que possui um papel maior na história do que o fato de ser um passatempo para eles.

Quando Will some, os jovens amigos dele também se envolvem nas buscas – assim como naqueles filmes de aventura que se tornaram clássicos da Sessão da Tarde. Em determinado ponto da história, os meninos conhecem Onze, que teria poderes sobrenaturais, de acordo com os testes feitos pelo Dr. Brenner (Matthew Modine) no Laboratório Hawkings.

Até então, a população da cidade não sabia ao certo o que ocorria no tal laboratório, alguns acreditavam que ele poderia ter alguma relação com a Guerra Fria. Matthew dá uma pista sobre o que acontecia ali ao falar sobre seu personagem: “Por um lado, podemos vê-lo como um carcereiro, mas também podemos entender a visão que ele tem de si mesmo: ele é a única pessoa que entende Onze. A pessoa que a criou e que possivelmente a ama”.

O texto foi originalmente publicado no Jornal do Commercio.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s