Rio2C 2018: Quais são os pilares do storytelling da Vice Brasil

Foto: Eugênia Bezerra

Estratégias de produção e distribuição de conteúdo para jovens foram apresentadas em um dos primeiros encontros do Summit Meio & Mensagem, que fez parte do Rio2C 2018. Na terça-feira (3/4), participaram do encontro Forma e Contexto – Novos Meios, Novas Mensagens o head of creative da Vice Media Brazil, Gabriel Klein; o diretor da Take 4 Content, João Pedro Paes Leme; e o líder de parcerias com estúdios de cinema e TV do YouTube, Phillipe Carrasco. A jornalista Karina Balan Julio fez a mediação e eu anotei alguns pontos que chamaram a atenção desta repórter que já pensou em roteirizar documentários.

É comum ouvir falar sobre o “estilo Vice” de contar histórias e esse foi um dos tópicos da apresentação de Gabriel Klein, que ainda citou modelos de negócio desenvolvidos na empresa em que ele trabalha.

João Pedro Paes Leme, da Take 4 Content, também comentou sobre as transformações experimentadas nos últimos anos: “A base do modelo econômico não mudou muito (da TV para o digital), o que mudou foram as estratégias. A empresa tem que avaliar: ‘Vou viver aqui de propaganda ou de subscrição?’. Cada um tem que pensar qual modelo vai realmente valer à pena para si”.

Phillipe Carrasco foi outro que citou algumas “premissas que não mudam”. “O ser humano assiste conteúdo numa relação de prazer. Respeite sempre o espectador, pense no conceito de temporalidade”, aconselhou.

Storytelling da Vice

Gabriel Klein explicou que o storytelling da Vice Brasil é desenvolvido a partir de três pilares:

  • Olhar curioso e distinto sobre o mundo.
  • Imersão completa nas histórias.
  • Criatividade orientada à forma.

O pensamento “millennial first” da Vice permeia a produção documental e também as estratégias de branded content (conteúdo produzido para uma marca) e brand publishing (quando o conteúdo relacionado ao universo da marca é publicado nas plataformas criadas para isso, não nas de terceiros, como no blog de alguém ou portal de notícias). Falou-se sobre olhar primeiro para os interesses da audiência e a criação de conteúdos com os quais ela consiga se engajar.

Um exemplo apresentado por Gabriel Klein no Rio2C 2018 foi o da série Dia de Estreia, desenvolvida para o lançamento do Samsung Galaxy Note 8 no Brasil.

https://video.vice.com/pt_br/embed/5a2850d7177dd413b9510011

“Estamos desde 2009 no Brasil. A empresa começou, desde muito cedo, a ser procurada por marcas que queriam trazer para o universo delas um pouco desse olhar da Vice na produção de conteúdo, essa capacidade de se conectar com o público jovem”, afirmou Gabriel Klein.

Em seguida, ele falou sobre as quatro frentes de atuação da Vice no Brasil: “A gente tem o conteúdo editorial; uma rede de sites e canais que amplificam o nosso conteúdo; uma frente de TV, o canal foi inaugurado há dois anos; e a gente tem esse braço de serviços de conteúdo, a Vert, que ajuda as marcas a se conectarem com a nossa audiência. A gente presta serviços que vão desde criação de sites até a produção, criação e ativação de conteúdo com foco na audiência para marcas”.

Digital não é meio

Ao final da apresentação, Gabriel Klein destacou que o digital não é o meio. “Eu sei que a gente fala de mídia digital, de meios digitais de imprensa digital. Mas o digital é a tecnologia que empodera os meios. O digital foi aquilo que transformou o meio físico no meio numérico, em zeros e uns, em algoritmo. A gente está há 20 anos com a revolução digital, mas o homem continua sendo o homo sapiens sapiens, o cérebro dele não mudou. O teu cérebro não mudou, a tua química e a bioquímica não mudaram”.

YouTube e o impacto do digital

Mesmo considerando que certas coisas não foram completamente transformadas no modo como o público assiste aos diferentes conteúdos, o impacto do digital foi considerado por Gabriel Klein, João Pedro Paes Leme e Phillipe Carrasco no encontro do Rio2C 2018.

O líder de parcerias com estúdios de cinema e TV do YouTube fez algumas considerações sobre o tema:

  • Hábitos – Os rituais não foram impactados.
  • Informação – Aumentou o acesso e o volume / questão da curadoria.
  • Valores – O semântico mudou, o funcional não.

Philippe Carrasco apresentou números da plataforma de vídeos – “O YouTube tem mais de 1 bilhão de usuários. Alcançamos um bilhão de horas assistidas por dia. Nosso maior público é da faixa de 18 a 34 anos” – e comentou a relação entre storytelling e liberação de dopamina ao tratar de questões como a identificação das pessoas com o que é mostrado nos vídeos.

Como exemplo disso pensei no sucesso que vlogs, muitas vezes feitos com materiais muito simples, podem alcançar no YouTube.  Mas os dados de uma pesquisa que Philippe Carrasco trouxe para o Rio2C 2018 também me fizeram refletir sobre o impacto dos vídeos na nossa saúde mental.

Eles ainda ressaltam o quanto a plataforma está relacionada ao aprendizado para muitas pessoas (e não dá para esquecer a responsabilidade dos que publicam com a veracidade do conteúdo que apresentam).

  • 47% dos millennials disseram que já assistiram a vídeos do YouTube para melhorar o estado de saúde ou se sentirem melhor.
  • No ano passado, 70% dos millennials usuários do YouTube assistiram a vídeos na plataforma para aprender a fazer algo novo ou para aprender mais sobre alguma coisa em que estavam interessados.
  • 39% dos millennials usuários do YouTube disseram que a plataforma de vídeo os ajudou a ver o mundo de uma maneira diferente ou a atravessar momentos difíceis no ano anterior.

* Viagem a convite do Rio2C.

 

 

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