Final de Sense8 é mesmo uma celebração da história feita para os fãs

Foto: Segolene Lagny / Netflix

Os brasileiros são uma parcela considerável do público da série Sense8 (Netflix) e o evento promovido em São Paulo pela plataforma de streaming para lançar o último episódio, que estreia dia 8 de junho, foi uma demonstração disso. Na sexta-feira (1/6), algumas centenas de pessoas foram assistir ao especial de 2h30 que encerra a produção criada pelas irmãs Lana e Lilly Wachowski (as mesmas de Matrix) e J. Michael Straczynski. O público vibrou com as cenas em vários momentos (compartilho minhas impressões adiante).

Parte do elenco principal da série participou da pré-estreia que, de certa maneira, tornou-se uma celebração de Sense8 e da diversidade (o evento no Memorial da América Latina integrou a programação da Pride Week). Os atores Brian J. Smith (Will), Jamie Clayton (Nomi), Miguel Angel Silvestre (Lito), Tina Desai (Kala) e Toby Onwumere (Capheus) cantaram junto com o público uma das músicas mais marcantes da trilha sonora da série, What’s Up, do 4 Non Blondes. O momento foi registrado para um vídeo que deve ser divulgado em breve foi divulgado perto da estreia.

Os artistas apareceram num trio elétrico que remetia ao utilizado pela equipe na segunda temporada para a gravação durante a Parada LGBT de São Paulo, uma cena emblemática para Lito (Miguel Angel Silvestre) e Hernando (Afonso “Poncho” Herrera).

Miguel foi o mais expansivo dos cinco que participaram do lançamento, ainda que todos tenham expressado sua gratidão aos fãs. Quando foi anunciado que a entrevista conduzida pelas apresentadoras estava perto do fim, o ator pediu a palavra e prolongou a conversa fazendo perguntas aos colegas.

Em seguida, os artistas desceram do trio para fazer selfies com os fãs e dançaram um pouco ao som do DJ que tocou durante a maior parte da tarde. Na área externa do espaço cultural ainda havia uma réplica do ônibus dirigido por Capheus. Os dois veículos foram cenários para várias fotografias (#Sense8Finale), até fila para isso tinha.

Antes de entrar no teatro, no entanto, era preciso dar um descanso aos celulares e deixá-los em armários, com o intuito de evitar vazamentos. Quando a música de abertura da série ecoou pelo teatro, muita gente gritou e ficou olhando em volta na expectativa de que o elenco aparecesse já naquela hora, mas isso só ocorreria um tempo depois.

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Era perceptível a expectativa antes da exibição do episódio final de Sense8.  Foto: Mauricio Santana/Netflix/Divulgação

Netflix

A tarde ensolarada contribuiu para o clima festivo do lançamento promovido pela Netflix. A empolgação da plateia era perceptível, desde a fila de entrada. Assim como o evento, o próprio episódio é uma celebração da história criada pelas irmãs Wachowski. Se ainda restassem dúvidas quanto a isso, a dedicatória colocada no especial lembra que ele foi realizado graças à mobilização dos fãs.

O anúncio do cancelamento de Sense8 foi feito pela Netflix pouco após a estreia da segunda temporada, o que deixava a série com um final muito indefinido. Não era o caso de um final aberto, como foi o da primeira temporada, que parecia mais bem resolvido, houve um corte abrupto na narrativa.

Não temos acesso a números, mas é fácil notar que esta é uma produção cara, que envolve muitas viagens. Os personagens moram em continentes diferentes e a comunicação dos sensates faz com que o elenco precise viajar para os vários países.

Lembro que na época não foram poucos os que ficaram surpresos com a reação dos fãs  e surgiram algumas piadas, já que tantas séries são canceladas todos os anos. Mas acho que há pelo menos duas coisas importantes a serem consideradas nesse caso específico, ambas relacionadas às redes sociais.

A primeira é que, por mais que a TV seja um meio de massa, os canais ficavam a uma certa distância de sua audiência no que diz respeito à comunicação entre elas.  Pela internet, da qual a Netflix é nativa, ficou muito mais fácil articular uma mobilização de fãs ou expressar críticas às produções.

Outra questão é o modo como a própria Netflix cultiva essa proximidade. Muitas vezes, parece uma pessoa está fazendo as publicações sobre as produções redes sociais. Ela deixou de ser uma empresa com interesses próprios? Claro que não! O que quero dizer é que se trata de uma maneira peculiar de lidar com o público. Imagino que a manutenção desse relacionamento tenham pesado e muito na decisão.

Trata-se de não olhar apenas para números, mas para os elos que sustentam seu negócio. Podemos lembrar que se trata de uma empresa que trouxe de volta alguns sucessos de público como Full House e Gilmore Girls,  com a produção de temporadas de Fuller House e o especial de quatro episódios Gilmore Girls – Um Ano Para Recordar. A nostalgia é poderosa. Cultivar a fidelidade estimulando afetos já conhecidos também pode ser uma base para uma empresa ligada ao entretenimento como a Netflix.

Sense8Finale

Pois bem, vendo o episódio final de Sense8 como algo feito dentro de uma relação com fãs de uma produção me parece mais fácil compreender os rumos tomados. Há uma mescla de ação, romance e humor. Este último em doses maiores do que nas temporadas anteriores, sendo bastante explorado na reação de alguns de outros personagens ao descobrir as aptidões dos sensates.

Assistir ao episódio em meio a um grupo tão grande foi uma experiência interessante, pois me permitiu ver como certos elementos narrativos tocavam os fãs. A plateia de São Paulo vibrava quando determinadas características dos personagens eram ressaltadas, como a personalidade séria de Sun em cenas de romance. Isso não é feito apenas com os sensates, mas também com alguns dos personagens que gravitavam em torno deles, como amores e amigos, que ganharam bastante espaço no especial.

Também notei algumas lágrimas em sequências mais sensíveis e também uma grande torcida por alguns relacionamentos (não entrarei em detalhes para não estragar possíveis surpresas).

Com a duração limitada do especial em comparação com o tempo de uma temporada, nem todos os elementos do universo criado em Sense8 são aprofundados (a parte filosófica, a científica, etc.). Em alguns momentos, senti que os diálogos ainda explicavam pontos da trama, talvez tenha sido a saída para aparar o maior número de arestas no tempo disponível.

Acho que alguns elementos relativos a Sussurros e aos demais personagens da geração dele poderiam ganhar impacto com mais tempo de cena. Por outro lado, questões introduzidas na segunda temporada como a existência de outros clusters e as motivações de uma figura como Lila (Valeria Billelo), foram aproveitados como parte do todo. No geral, há uma amarração de elementos da grande trama com os dramas pessoais para dar sentido à despedida.

* Viagem a convite da Netflix.

 

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