Guilherme Fontes vive um jornalista inescrupuloso em Pacto de Sangue

Foto: Space

O jornalista Silas Campello (Guilherme Fontes) começa sua trajetória na série Pacto de Sangue como um repórter pouco conhecido de uma pequena emissora de TV, mas se torna uma das figuras públicas mais polêmicas e influentes daquela Belém (PA) ficcional. Para isso, percorre um caminho tortuoso, tendo sua ambição como combustível, e fazendo negociações arriscadas com Trucco (Jonathan Haagensen) e Amaral (Gracindo Jr.), os chefes das maiores facções criminosas locais. A produção brasileira estreou em agosto no canal por assinatura Space, com episódio duplo e sem intervalos comerciais.

Questionado sobre as características que mais lhe atraíram no projeto, para o qual foi convidado logo após a estreia do filme Chatô, o Rei do Brasil, Guilherme Fontes cita: “Um personagem de caráter duvidoso, ambicioso, poderoso, sem escrúpulos, que usa a mídia e a opinião pública para subir na vida a qualquer preço. É sempre irresistível”.

“Existem tantos exemplos de personagens como este que passam do limite. Na verdade, eu gosto de me prender no roteiro, no personagem que existe no papel, que nasce virgem, pronto para ser ‘devorado’ por um artista inquieto”, continua ele, ressaltando seu processo criativo.

Ainda sobre Silas, ele afirma: “Um homem ambicioso e inescrupuloso como ele, quando você vai olhar de perto e analisar sua intimidade, percebe seus graves defeitos de convivência familiar. Sua família, em geral, acaba vitimada pelos seus atos ou pelo seu descaso pessoal”.

Logo no primeiro episódio de Pacto de Sangue, o espectador nota como a relação de Silas com a esposa e a filha é distante. Em suas ações, o jornalista conta com o apoio do irmão, Edinho Campello (Adriano Garib). “O trabalho dele é estar neste negócio arriscado com o irmão e ficar o tempo todo tentando controlar Silas, com medo de que dê algum problema e que ambos possam morrer ou alguém da família”, afirma Adriano Garib, que tem feito várias séries, a exemplo de Magnífica 70 (HBO) e 1 Contra Todos (Fox Premium).

“Meu personagem é um ex-policial expulso da corporação por corrupção e que tinha, de acordo com a primeira leitura que fiz do texto, um comportamento de ser um cara mais dissimulado, mais cobra”, descreve Adriano Garib.

“Os atores têm o hábito de achar que quanto mais o personagem fala é melhor. Isso não corresponde sempre à verdade, depende do contexto. No caso do meu personagem, ele não é de falar muito, mas a presença dele é muito determinante nas ocorrências da trama. Ele veio de um meio perigoso, sabe ser discreto ao mesmo tempo em que é eloquente e sabe negociar. Essa característica dele me atraiu muito. É um personagem que eu tenho condições de fazer muito bem e que a dramaturgia de um modo geral, tanto de cinema quanto de TV, não costuma oferecer para um ator”, opina.

A dupla acaba imersa em uma trama que envolve assassinatos, tráfico de pessoas, prostituição e rituais com drogas. O teor dessa última parte não fica muito claro no início da série, mas se sabe que a rede é organizada por Gringa (Mel Lisboa) e Trucco. Os crimes são investigados pelos policiais Roberto Moreira (Ravel Cabral) e Lucas Soares (André Ramiro).

Criada por Lucas Vivo, Pacto de Sangue é dirigida pelo brasileiro Tomás Portella e pelo uruguaio Adrián Caetano. Os roteiros foram escritos por Patrício Vega com a colaboração de Ricardo Grynszpan. Guilherme Fontes acredita que esta diversidade ajuda a internacionalizar o trabalho.

“Visões de fora ajudam a ampliar o leque da interpretação. Uma série como esta não deveria agradar apenas ao público do Brasil, precisa atingir a curiosidade de dezenas de países. E a participação cultural tríplice dos diretores certamente contribui para ampliarmos este olhar”, opina.

A primeira temporada da série, uma coprodução da Intro Pictures com a o Space, tem oito episódios de 45 minutos. Fulvio Stefanini, Gracindo Jr. e Paulo Miklos participam do elenco.

Canal Space

O canal Space tem mais duas séries com estreia prevista para 2019: O Doutrinador e Irmãos Freitas. “Estamos falando de coproduções com o DNA do Space, que trazem em sua essência muita adrenalina, emoção e ação”, afirmou a diretora sênior de conteúdo dos canais de entretenimento da Turner Brasil, Silvia Elias, no anúncio das mudanças na programação do Space (que passa a receber, junto com a TNT, conteúdo do Esporte Interativo).

* Texto publicado originalmente no Jornal do Commercio.

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