Bruno Fagundes fala sobre terceira temporada da série 3% e Sense8

Foto: Jonas Tucci

O ator Bruno Fagundes conta que nem tem desfeito as malas por causa das viagens com o espetáculo Baixa Terapia, que, nos últimos cinco meses, foi encenado em cidades brasileiras e norte-americanas. “É muito bom. Fazer turnê possibilita um aprendizado incrível. De estar em outros teatros, novos palcos, novas formas de se relacionar com o público e, o mais importante, públicos extremamente variados. Isso é muito prazeroso”, celebra.

No final de setembro, o paulistano embarca para Portugal com o objetivo de fazer uma série de apresentações e só deve voltar ao Brasil na segunda metade de dezembro. “Estou organizando tudo para esse grande passo. É como se fosse morar lá. Mas nunca paro. Sou workaholic e crio minhas próprias oportunidades com muito suor. Tenho, pelo menos, mais dois projetos de teatro para 2019 e outro para cinema e também algo relacionado à música”, diz.

Mas, antes de subir aos palcos lusitanos para contracenar com atores como o pai, Antônio Fagundes, Bruno se dedica às gravações da terceira temporada da série 3% (Netflix), na qual dá vida ao personagem André (a partir daqui, o texto contém spoilers).

Na início da produção brasileira, que se tornou um sucesso internacional na plataforma de streaming, o espectador recebia apenas algumas pistas sobre o personagem. Dizia-se que o irmão mais velho de Michele (Bianca Comparato) tinha sido aprovado no Processo pelo qual os personagens da história passam ao completar 21 anos. Mas a jovem não tinha certeza sobre qual teria sido o destino do irmão no Maralto até o momento em que ela também deixa Continente, região praticamente desprovida de recursos após uma catástrofe.

“O trabalho é sempre muito colaborativo. Eu jamais poderia construir o André sem levar em consideração a história pregressa dele com a Michele, que estava sendo elaborada desde o primeiro episódio da primeira temporada. Então, nós dois juntos definimos como seria o desenvolvimento dessa relação ao longo da segunda e terceira temporadas. É um processo de muita troca”, ressalta Bruno.

“André teve uma vida difícil no Continente, ele e Michele são órfãos, portanto, ele no lugar de irmão mais velho, teve que cuidar de si mesmo e da irmã, algo que não deve ter sido fácil. Por isso, o André é um personagem muito radical na sua ideologia que preserva o Casal Fundador”, continua o ator, que esclarece: “Não quero justificar nenhuma das suas ações, afinal, ele cometeu um crime e tem visões bastante extremistas, muitas das quais eu discordo totalmente. É um cara bastante egocentrado e teimoso (risos)! Mas o meu desafio foi exatamente esse, tentar achar a humanidade dele e todos os seus porquês. É um personagem muito rico que volta na terceira temporada com muita história!”.

Sem poder adiantar muito sobre o que acontece com André de agora em diante, e já tendo gravado cenas cruciais, Bruno comentou: “Estou muito feliz com seu desenvolvimento. Acho que o público vai levar um susto com sua primeira aparição no primeiro episódio da temporada. Na temporada passada ele estava muito à mercê dos acontecimentos, praticamente lobotomizado, com sua memória e sentidos meio abalados. Agora vamos ver o André mais empoderado, dono de si. Vamos conhecê-lo mais profundamente. Não vejo a hora”.

Sucesso de 3%

Ainda sobre a experiência de passar a fazer parte do elenco de uma produção quando uma parte dela já tinha sido mostrada para o público, Bruno comenta uma questão peculiar de uma série como 3%. Ela já vinha construído uma relação com os espectadores desde a época da disponibilização de um episódio piloto na internet. Foi por causa da repercussão que o vice-presidente de conteúdo original da Netflix, Erik Barmack, teve acesso ao material e os realizadores foram procurados para uma coprodução, a primeira original brasileira da empresa. Foi um desafio incrível, nas palavras de Bruno.

“Desde o momento da minha aprovação fiz minha cabeça para não me deixar sentir pressionado por todas essas questões. É uma série com uma base de fãs internacional, vista em 190 países por milhões de pessoas. Eu entrei quase que de paraquedas em um ambiente onde todos já estavam muito familiarizados com aquele universo e com uma responsabilidade enorme, de dar vida a um personagem que era citado desde o início da série, um personagem extremamente difícil e importante. Mas fui muito bem acolhido pela família 3%. E hoje sou um membro dessa família, com muito orgulho”, celebra o ator.

“Através das redes sociais, tive contato com público de muitos lugares do mundo como EUA, França, Itália, Portugal, Bélgica, Porto Rico, México, Coréia do Sul, Austrália, Nova Zelândia etc, até Sri Lanka! Todos muito carinhosos e felizes com minha participação. Tem sido incrível”, completa ele.

Sense8

Antes de fazer uma bateria de quatro testes para interpretar André, sob supervisão da equipe da Netflix USA, Bruno gravou sua participação em outro sucesso da plataforma, Sense8. Ele aparece na segunda temporada, quando os personagens do “cluster” participam da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (a escolha da cidade não se deu por acaso, a base de fãs da série no Brasil é grande).

Sense8 foi uma experiência muito curiosa. Também havia feito um teste, no qual havia sido descartado em primeira instância. Mas aí, a Lana Wachowski (diretora, roteirista e criadora da série) comunicou à produção que queria que eu fizesse parte do episódio, de qualquer maneira. Ela criou aquela situação para me inserir. Algo que me deixou extasiado e muito honrado. Foi uma experiência inesquecível. Nós gravamos um dia depois do meu aniversário”, recorda Bruno.

Séries brasileiras

“Acho muito saudável o que está acontecendo no Brasil no campo audiovisual. A internet e o boom do streaming têm possibilitado uma expansão do nosso mercado. Estamos agora tendo a possibilidade de produzir conteúdo 100% brasileiro para o mundo. Isso é extremamente importante. Gera um ambiente competitivo e aumenta as chances de emprego e visibilidade para todos os profissionais”, avalia o ator.

“Graças a Deus, hoje não existe mais um monopólio de produção. Essa efervescência está nos forçando a achar uma linguagem própria nesse meio. Nós já fazemos novelas com excelência, agora estamos buscando fazer séries com a mesma qualidade. Isso coloca Brasil no mapa audiovisual e me enche de orgulho”, pontua.

* Texto originalmente publicado em setembro de 2018, no Jornal do Commercio.

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