O Mundo Sombrio de Sabrina tem personalidade própria

Foto: Netflix

Entre as diversas alternativas existentes ao se fazer outra adaptação dos quadrinhos que inspiraram a série Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, a Warner, Berlanti Productions e Archie Comics optaram por se aproximar do tom da obra original. O resultado dessa escolha é que O Mundo Sombrio de Sabrina (Chilling Adventures of Sabrina) não fica é eclipsada pela produção estrelada por Melissa Joan Hart. A série disponível na Netflix tem personalidade própria e conquistou seu público – tanto que, além do especial de fim de ano, que estreia dia 14 de dezembro de 2018, uma segunda temporada será lançada no dia 5 de abril de 2019.

Quando escrevi sobre minhas expectativas em relação a O Mundo Sombrio de Sabrina já tinha falado sobre os pontos positivos de se criar uma nova adaptação neste caso (aproveite para lembrar de cinco filmes com bruxas lançados nos anos 1990).  Mas tem mais uma coisa que me interessa nesta opção: o gênero terror também oferece a oportunidade de explorarmos facetas do comportamento humano, basta vê-lo como algo mais do que sequências de sustos, gritos e sangue na tela. Acho que a série lançada pela Netflix faz isso ao abordar questão do amadurecimento.

Sabrina (Kiernan Shipka) tem a peculiaridade de ser metade bruxa e metade mortal, mas até isso pode ser encarado como símbolo das nossas dualidades. A necessidade de fazer escolhas, refletir sobre o que desejamos e o que esperam de nós, é algo que todos experimentamos. O fato de que as escolhas têm consequências que às vezes não podemos prever ou controlar também.

Esse tipo de vivência ocorre várias vezes com Sabrina e com seus companheiros, sejam eles do mundo bruxo ou humanos. Os três amigos humanos da personagem, por exemplo, também lidam com suas heranças familiares e experiências místicas nesta fase de transição que é a adolescência.

Além de ampliar o leque de personalidades com as quais o espectador pode se identificar, esse compartilhamento de experiências cria uma fluidez entre os mundos que formam a série. Junto a isso, ele permite que vários subtemas sejam explorados, tais como destino, crenças, expectativas e a responsabilidade sobre os próprios atos.

CAS_101_SG_00001R

Mary Wardwell (Michelle Gomez), Susie Putnam (Lachlan Watson), Rosalind “Roz” Walker (Jaz Sinclair), Sabrina (Kiernan Shipka) e Harvey Kinkle (Ross Lynch). Foto: Netflix

Bruxos e humanos

Por falar em personagens secundários de O Mundo Sombrio de Sabrina, eles oferecem algo interessante para o conjunto. Kiernan Shipka leva bem o papel, construindo uma protagonista carismática, mas os outros também enfrentam seus próprios dilemas e desenvolvem habilidades no decorrer da série. Tanto que o espectador já vai imaginando histórias que podem ser desenvolvidas na segunda temporada, sabe?

Os amigos Susie Putnam (Lachlan Watson), Rosalind “Roz” Walker (Jaz Sinclair) e Harvey Kinkle (Ross Lynch) formam o simpático grupo humano de Sabrina, sendo Harvey o namorado dela. Todos estudam na mesma escola, a Baxter High, onde leciona a professora Mary Wardwell (Michelle Gomez).

Na Academia de Artes Ocultas, outro trio aguarda Sabrina, mas de maneira bem menos calorosa, para dizer o mínimo. Prudence (Tati Gabrielle), Agatha (Adeline Rudolph) e Dorcas (Abigail Cowen) surgem como as “meninas más” da escola bruxa, mas a participação delas na trama evolui. Por outro lado, a novata tem como aliado Nicholas Scratch (Gavin Leatherwood).

O núcleo da casa de Sabrina também é interessante, formado pelas tias Hilda (Lucy Davis) e Zelda Spelmann (Miranda Otto), o primo Ambrose (Chance Perdomo) e o gato Salém. Nesta série ele não fala, mas continua aparecendo bastante.

À medida em que mais elementos sobre os personagens vão sendo colocados à disposição, o espectador vai entendendo melhor cada um deles e, quem sabe, questionando a si mesmo.

O mesmo tipo de relação se estabelece, por exemplo, quando são reveladas informações sobre o passado de Greendale e os dogmas da Igreja da Noite, liderada por Faustus Blackwood (Richard Coyle). Pois é, família, escola, comunidade e religião… Tem muito material para interpretação aí.

CAS_101_Unit_00029R5
Sabrina (Kiernan Shipka), Zelda Spelmann (Miranda Otto), Hilda Spelmann (Lucy Davis), Chance Perdomo (Ambrose Spelmann) e Faustus Blackwood (Richard Coyle). Foto: Diyah Pera/Netflix
CAS_101_Unit_01007R
Salém. Foto: Diyah Pera/Netflix

Cenografia e figurino

Fundamentais para criar a atmosfera da série, a cenografia e o figurino foram criados com bastante cuidado. Acho que eles conseguiram fazer com que o mundo bruxo e o mundo humano tivessem características próprias, sem perder a coesão. A casa da família de Sabrina, por exemplo, é cheia de detalhes, mas seu estilo retrô dialoga com o estilo dos lugares onde moram os amigos dela.

As cenas em que os quatro saem do cinema para conversar sobre as obras são como uma homenagem aos clássicos do terror, ficou atencioso. Greendale tem características acolhedoras de uma cidade pequena e a floresta no entorno oferece o ar misterioso que é perfeito para a transição com o mundo bruxo.

Provavelmente eu optaria por deixar todos os demônios e outras criaturas mais como sugestões em cena, como ocorre algumas vezes na série, mas isso é gosto pessoal e não chega a atrapalhar o resultado.

CAS_101_Unit_00552R
Direção de arte garantem que Greendale e o mundo bruxo tenham seu charme e características particulares. Foto: Diyah Pera/Netflix

 

Assista ao trailer da primeira temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina e ao teaser da segunda:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s