Felipe Hintze fala sobre universo de O Sétimo Guardião e dupla cômica

Foto: Estevam Avellar/Globo

Cada cidade tem suas peculiaridades, aquelas características que o visitante só vai descobrindo aos poucos. Parte disso se dá pela própria geografia do lugar, relacionada ao tipo de construção que será erguido ali. Mas outra grande parcela surge das relações entre seus habitantes. O mesmo vale para as cidades da ficção como Serro Azul, onde vivem os personagens da novela das nove O Sétimo Guardião (Globo). O folhetim cuja história segue pelo realismo fantástico estreou na segunda-feira passada. Registrou 33 pontos de média na audiência e foi muito comentada nas redes sociais por cenas como a de uma visão tida pela órfã Luz (Marina Ruy Barbosa).

Serro Azul era citada pelos moradores de Greenvile, em A Indomada (1997), e de Tubiacanga, em Fera Ferida (1993), mas até então não havia sido mostrada aos telespectadores. Para torná-la “realidade” a emissora construiu uma estrutura que é sua maior cidade cenográfica até o momento – fez até mesmo a imensa fonte de água mágica protegida pelos guardiões da história, que será disputada por suas propriedades rejuvenescedoras.

“É muito importante para a gente estar inserido no ambiente para entender a geografia da história. Entrei lá e vi a delegacia, que é perto da igreja, do lado do salão de beleza… Você se coloca ali e vai entendendo toda a movimentação dos personagens naquele ambiente. Ajuda muito a contar a história. Serro Azul é uma cidade quase parada do tempo, distante, lá quase não pega celular, as roupas são meio atemporais”, explica o ator Felipe Hintze, que interpreta o policial Peçanha.

A chegada dos recursos tecnológicos de uma vez só causará uma reviravolta na história da novela e, por consequência, impactar a rotina de Peçanha e do delegado Machado (Milhem Cortaz). “A gente pensou muito no fato dessa dupla ser tão unida que fosse quase a mesma pessoa. Às vezes um completa o que o outro fala. Fisicamente, eles estão sempre juntos, se esbarrando. O meu personagem tem muito respeito pelo dele e aí a gente encontra alguns gatilhos cômicos para o desenvolvimento da dupla”, afirma Felipe, em sua primeira incursão na comédia.

“Peçanha é um personagem muito do bem. Ele é inocente, mas não é bobo. Como policial, tem que estar atento a tudo que acontece na cidade. Acho que ele vai levar muita alegria para o povo. Depois de trabalhar o dia todo, as pessoas vão chegar em casa e ter uma oportunidade de se divertir”, opina.

Ainda sobre a preparação para o papel, o ator respondeu: “A gente teve o privilégio de receber uma frente gigante de capítulos, foram 42. Comecei a ler todos, entendi onde o personagem estava e para onde ele vai, como é a novela, a energia que ela tem, a ambientação. Percebi que O Sétimo Guardião remete muito a novelas antigas de Aguinaldo, então fui ver Tieta (1989) e Roque Santeiro (1985), para entender o universo ficcional dele. Depois parti para um estudo sobre grandes duplas cômicas, como O Gordo e o Magro, outras de desenhos animados, para entender como funcionam. Às vezes um dá a escada para o outro fazer a piada, como um jogo. Milhem e eu conversamos sobre os personagens, batemos muito texto junto e conversamos. Ele é um ator muito generoso, me recebeu muito bem”.

Antes de O Sétimo Guardião, Felipe interpretou na mesma emissora o vilão Moqueca, de Malhação – Viva a Diferença (2017), e o Eizel, de Verdades Secretas (2015). Além das novelas, participou da minissérie Dupla Identidade (2014) e da série Supermax: O Inferno em Suas Mentes (2016), versão de Supermax para a América Latina e Espanha. Ele e Laura Neiva foram os únicos brasileiros no elenco. Junto a esses papéis Felipe também tem experiência no teatro, que foi onde Aguinaldo conheceu o trabalho do ator.

“Ele foi assistir a uma peça que eu fazia dois anos atrás. Depois disso Rosane Quintaes, que é produtora de elenco, me ligou quando eu estava terminando de fazer Malhação para falar sobre o personagem. Eu não tinha registro cômico na Globo, só tinha feito personagens dramáticos lá até então, mas fiz uma sequência de comédia e daí me convidaram para a novela”, lembra o artista.

“Acho que cada formato tem um aprendizado diferente. Na série Supermax internacional eu pude ver meu trabalho repercutindo lá fora, a série passou na Argentina, Espanha, México. Foi incrível. Mas acho que, mais do que ver a repercussão, tem a experiência de aprender com pessoas de outros países. Cecilia Roth é uma das divas de Pedro Almodóvar, poder trocar com esses artistas, ver como eles trabalham, é incrível”, avalia Felipe.

Streaming

O ator também comenta sobre a variedade de públicos alcançada pelas novelas e pelas séries, com a possibilidade de se ver as obras pela TV ou streaming. “Supermax está disponível no Globoplay, você pode ver tudo de uma vez só, diferente da novela, que se acompanha diretamente. Agora faço uma novela mais popular, para uma grande massa, que é o carro chefe da emissora. Verdades Secretas tinha um público mais jovem, um pouco parecido com o que consome séries pelo streaming, inclusive, muita gente só viu depois que acabou na TV, acessando pelo Globoplay. Acho que tem vários segmentos e cada trabalho encontra seu público naturalmente. Para a gente que é ator é maravilhoso (o crescimento das janelas de exibição), mais oportunidades vão aparecendo”, conclui.

Supermax Internacional Globo Renato Rocha Miranda
Parte do elenco da versão internacional de Supermax, disponível pelo Globo Play. Foto: Renato Rocha Miranda/Globo

* O texto foi originalmente publicado no Jornal do Commercio.

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