Big Little Lies é coesa ao combinar dramas particulares e mistério

Foto: HBO

São muitas as obras ficcionais em que um crime transforma a rotina de uma cidade pequena. Na série Big Little Lies (HBO) isso acontece, mas com uma peculiaridade: Além do tradicional “Quem matou?”, a narrativa também é alimentada por um “Quem morreu?”. Outra característica interessante na produção é o modo como os roteiristas conseguem fazer a parte investigativa da trama caminhar junto com os dramas dos personagens em uma narrativa coesa.

A história é baseada no livro da escritora Liane Moriarty, australiana como a atriz Nicole Kidman, que interpreta Celeste Wright. Os filhos da personagem estudam na mesma turma que a filha mais nova da popular Madeline Martha Mackenzie (Reese Whiterspoon). A eles se junta o filho único de Jane Chapman (Shailene Woodley), que acaba de se mudar para a rica cidade de Monterrey, no litoral da Califórnia.

No livro, a trama se desenvolve na Austrália, sendo que na adaptação se preservou um elemento interessante para o resultado final. Os personagens moram em casas isoladas em uma paisagem belíssima, o que cria uma aparência de que nada falta a eles, mas também um distanciamento para que cada um preserve seus segredos. Ou seja, “todo mundo se conhece”, mas nem tanto.

Ao redor das amigas Celeste, Jane e Madeline gravitam personagens interpretados por atores como Alexander Skarsgard, Laura Dern, Zoë Kravitz, Adam Scott e James Tupper. As mulheres vividas por Laura e Zoë, por exemplo, fazem parte do eixo narrativo de Madeline. A dinâmica entre elas evidenciam algumas características daquele grupo social, como um clima de competição.

Aos poucos, estas e outras relações entre os personagens vão sendo delineadas e surgem as dúvidas, injustiças, os medos, inseguranças e traumas do passado de cada um.  A imagem de perfeição e calmaria vai sendo delapidada, por vezes revelando aspectos violentos.

É o caso de Perry, vivido muito bem por Alexander Skarsgard. Com poucos diálogos, o ator expressa agressividade principalmente pelo olhar e pela movimentação do corpo em cena. Nicole Kidman também se destaca ao construir Celeste nos mínimos detalhes da expressão corporal em cada fase que ela atravessa.

Junto ao que foi dito até aqui, as cenas sobre os depoimentos tomados pela polícia após o crime oferecem mais do que pistas para que o espectador tente descobrir as respostas das perguntas sobre o assassinato. As sequências são muito reveladoras sobre o clima da cidade, as imagens que os moradores constroem sobre os outros, o que eles pensam saber ou ignoram completamente.

Big Little Lies (1)
Renata Klein (Laura Dern). Foto: HBO
Big Little Lies (3)
Bonnie Carlson (Zoë Kravitz). Foto: HBO

Quem matou?

Calma, não tem spoiler! Quando Big Little Lies estava sendo lançada, surgiram comparações com as séries Pretty Little Liars e Desperate Housewives.  Não acompanhei a primeira delas, mas acho que é bom pontuar uma grande diferença entre a nova série da HBO e a produção da ABC, exibida no Brasil pelo Sony: a narrativa tem um clima mais forte.

Em “Desperate“, Wisteria Lane também era cenário para alguns crimes e dramas. Mas os criadores da série mesclavam isso a momentos de humor, especialmente pelas situações vividas pela personagem de Terry Hatcher. Em Big Little Lies, o caminho é outro.

A série teve seus sete episódios dirigidos por Jean-Marc Vallée, conhecido por filmes como Clube de Compras Dallas (2013) e Livre (2014). O modo como a atenção dele aos detalhes intensificaram as cenas dramáticas é um dos pontos fortes no trabalho, assim como as escolhas feitas pela trilha sonora entrecortada pelos momentos de silêncio.

Lançada como minissérie, Big Little Lies agradou ao público, ganhou prêmios e acabou tendo uma segunda temporada garantida pela HBO, com a chegada de Meryl Streep ao elenco. Mas, ainda que não houvesse continuação, eu também ficaria satisfeita.

A primeira temporada é bem redonda. Termina deixando o público com algumas questões em mente e reitera a força das protagonistas. Acho que a série mostra como uma produção curta pode ser dinâmica e instigar reflexões sobre temas importantes.

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