Jumento inspira até linha de roupas no Sertão, mas está ameaçado

Foto: Rima Cultural e REC ProdutoresS

“Jumentos, quantas histórias poderiam contar?”. Uma resposta para esta pergunta é dada ao longo dos três episódios da série Na Contramão: São muitas histórias, algumas bastante trágicas. A coprodução da Rima Cultural com a Rec Produtores estreia nesta quarta-feira (12/12), às 20h15, na TV Pernambuco e apresenta, com abrangência e afeto pelos animais, a complexidade da situação enfrentada pelos jegues no semiárido brasileiro.

O “nosso irmão” da música de Luiz Gonzaga, agora abandonado por muitos de seus antigos donos, depois que eles optaram pelos carros e motos para o transporte e a lida com a criação no campo, corre risco de vida na beira das estradas.

Na série, os animais são mostrados como personagens, com seus nomes na lista de créditos mostrada ao final do capítulo, e há também demonstrações de carinho por eles. A fotografia de Ivanildo Machado dá um tom poético a várias cenas.

As gravações ocorreram em Pernambuco, no Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e da Bahia. “Quando iniciamos as viagens de pesquisa e pré-produção, tínhamos o foco de abordar a substituição dos jumentos pelas motos. No decorrer das viagens, apareceram outros aspectos, como o tráfico internacional de peles”, detalha o produtor Chico Ribeiro, da REC.

Rafael Marroquim, da Rima Cultural, que divide o argumento e roteiro da série com Ricardo Mello, continua: “A série apontou diferentes olhares sobre o futuro do jumento, trazendo a opinião de especialistas, produtores, ativistas, artistas e agricultores que ainda fazem uso do jegue no campo”.

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Na Contramão mostra pessoas que preferem as motos e outras que seguem com seus jumentos

Para diminuir os acidentes, muitos deles fatais para animais e humanos, jumentos estão sendo recolhidos em fazendas. Como os entrevistados alertam na série, tal medida precisa ser acompanhada por outras ações para que se encontre uma solução mais eficaz.

Além da escassez de espaço para abrigar tantos animais há o fato de que, confinados, muitos jumentos se deprimem e acabam morrendo. “O animal é andarilho e fica sentido ao ser mantido preso na cerca”, destaca Raimundo de Araújo, coordenador da Fazenda Paula Rodrigues, em Santa Quitéria (CE).

Depois de abordar a existência de mortes por atropelamento, Na Contramão chega ao problema dos abates clandestinos (que são, além de tudo, uma questão de saúde pública) e do tráfico de pele. Com um tema tão complexo em mãos, e apenas três episódios, exibidos até sexta-feira (14/12) pela TV Pernambuco, os realizadores da série também conseguem apontar alguns caminhos. A produção oferece muita informação para o debate.

Criadores, pesquisadores e outros protetores destes animais falam sobre o que consideram ser saídas respeitosas e economicamente viáveis. O aproveitamento da carne e da pele do jumento, consumidas em outros países, encontra resistência de quase todos entrevistados. Já a produção de leite e a destinação dos animais para atividades semelhantes à equinoterapia são mais bem recebidas.

A marca do jeguinho

“Mais do que integrar um cenário, os jumentos são também protagonistas de uma forma de vida do semiárido brasileiro. Esse encontro entre os personagens, homem e animal, nos ajuda a refletir sobre uma relação iniciada ainda durante a ocupação do Nordeste e do Brasil”, diz o diretor da série, Marcelo Pinheiro.

Um reflexo dessa presença dos jumentos no semiárido nordestino se traduz na existência da Donkey, apresentada como “a marca do jumentinho”. As roupas e acessórios da empresa de Petrolina são estampados com a figura de um jumento.

“Fui criado na roça e sempre gostei de jegue. Se fosse para buscar água, tinha que ser com um jeguinho. Ir para a rua, tinha que ser com um jeguinho. Ir para a escolha, tinha que ser com um jeguinho. Então isso foi o que me levou à ideia de criar a marca. Tem cavalo, tem jacaré, papagaio, dinossauro (associados a marcas)… porque não ter um jeguinho? Ele é um símbolo nordestino, um símbolo forte. E tem uma coisa, tem que usar o símbolo (nas peças). Se não tiver, o povo não gosta”, conta o empresário Charles Gomes.


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O registro do nordestino estampado no peito junto com nosso mascote que representa o nordeste 👏🏼👏🏼👏🏼💥💥💥🎉🎉✅✅✅🎵🎵🐴🐴🐴💥💥🎉🎉🎥🎥✅✅🎉🇧🇷🇧🇷💥💥💥🎵🎵🎊🎊#usadonkey✅🐴🌿📸💥🌵🔊🐴💥🐴✅💥💴✅🌿⚡️🇧🇷🇮🇸🌵📸🇳🇬🔝🇦🇽🇱🇻🔊💥🐴✅🌿🇧🇷📸🌵 #usadonkey✅🐴🌿📸💥🌵🔊🐴💥🐴✅💥💴✅🌿⚡️🇧🇷🇮🇸🌵📸🇳🇬🔝🇦🇽🇱🇻🔊💥🐴✅🌿🇧🇷📸🌵🐴💥⚡️📸💥🌿🇧🇷🌵✅🌵🔊🔝🇳🇬🇮🇸🇦🇽⚡️💥🌵🌿🐴📸 #deusacimadetudo🙏 #deusacimadetudo🙏 #deusacimadetudo🙏 #deusacimadetudo🙏

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Jogo infantil

Junto com os três episódios da série documental para a TV foi produzido um jogo digital voltado para o público infantil (8 a 12 anos). O Donkey Blast – Na Contramão foi produzido pela empresa pernambucana Kokku Games.

“O objetivo do game é estender a temática do documentário para as crianças de forma lúdica, sem deixar de levar informação e reflexão, principal propósito do projeto”, esclarece Ricardo.

Em cinco cenários (fazenda, praia, cidade, estrada e sertão), as crianças lançam botões para eliminar conjuntos de cores equivalentes. Cumpridas as tarefas, são reveladas informações sobre os jumentos e seus hábitos.

 

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