As Telefonistas ganharia força ao redistribuir atenção às personagens

Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Comecei a assistir à série espanhola As Telefonistas (Las Chicas del Cable, Netflix) sem muitas referências sobre ela e logo me peguei fazendo maratona. As primeiras impressões foram boas, a história sobre amizade que aborda temas sociais interessantes e tem umas doses de romance me cativou. Mas agora, após ver a terceira temporada, tenho a sensação de que a produção poderia ganhar força se reorganizasse a atenção dada ao núcleo de cada personagem.

Apesar de continuarem amigas, as quatro me parecem um tanto soltas nesse momento da série, assim como certas informações que foram dadas ao público em episódios anteriores (explico melhor adiante). Torço para que isso seja contornado em uma próxima temporada, pois uma das coisas mais legais de As Telefonistas é o modo como as diferenças de cada uma trazem elementos para que se fale sobre as lutas pela liberdade e por direitos iguais para as mulheres.

Lidia (Blanca Suárez), Marga (Nadia de Santiago), Carlota (Ana Fernández) e Ángeles (Maggie Civantos) se conhecem quando conquistam vagas na companhia nacional de telefonia da Espanha.

A entrada no mercado de trabalho, num lugar que era símbolo de modernidade na Madrid do final dos anos 1920, é um passo importante para que elas conquistem a própria independência. Mas logo o público pode pensar sobre os diversos obstáculos enfrentados pelas mulheres (e no que mudou ou não para nós desde aquela época).

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Sara (Ana Polvorosa). Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

No caso de Ángeles, há um marido violento e as cobranças sobre uma mãe que deseja trabalhar fora de casa. Carlota é filha de um militar conservador e o confronta ao se interessar por causas como a luta pelo direito das mulheres ao voto – com isso, ela conhece o lado ativista de Sara (Ana Polvorosa), uma funcionária mais antiga da empresa de telefonia. Já Marga precisa enfrentar seus medos para ajudar financeiramente a família que ficou no interior.

Assim como a amiga, Lidia também não nasceu em Madrid. Mas ela chegou na cidade há muitos anos e uma situação bem distinta. A protagonista de As Telefonistas na verdade se chama Alba e é reconhecida logo em seu primeiro dia de trabalho por Francisco (Yon González), amor da adolescência com o qual tinha perdido contato.

Essa parte está no trailer, não chega a ser spoiler. Nesse meio tempo, Francisco se tornou muito amigo de Carlos (Martiño Rivas), um dos filhos da dona da companhia telefônica, a controladora Carmen (Concha Velasco). Os dois se apaixonam por Lidia e esse triângulo amoroso será responsável por alguns dos problemas enfrentados por ela.

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Francisco (Yon González) e Carlos (Martiño Rivas). Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix
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Carlos (Martiño Rivas) e Dona Carmen (Concha Velasco). Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

O núcleo formado por Lidia, Francisco e Carlos é o que eu acho mais solto na terceira temporada da série. Francisco praticamente some do eixo principal em determinado momento da história.

Por outro lado, a sequência de tragédias e reviravoltas na vida de Lidia acaba deixando a personagem um tanto apartada das demais, cujas histórias são conduzidas em outro tom e ritmo.

Também senti falta dos desdobramentos de uma descoberta relacionada ao pai de Carlota e de uma maior presença da filha de Ángeles nesta fase da série.

Entretanto, sigo apreciando o fato de que muitos personagens não são estritamente mocinhos ou vilões. Mesmo as protagonistas são capazes de tomar atitudes que as afastam destes rótulos e, assim, parecem críveis.

Trilha Sonora

Vi comentários de alguns espectadores sobre a presença das músicas contemporâneas para a trilha sonora. Uma escolha do tipo não é um problema para mim, mas acho que neste caso as cenas com dança acabam ficando confusas mesmo. As pessoas aparecem fazendo passos condizentes com um ritmo, mas o espectador escuta algo bem diferente.

Ainda sobre a trilha, pensei que seria legal apresentar para audiências de outros países o que era escutado na Espanha naquela época. Vale ressaltar que a equipe da série tem feito um trabalho lindo nos figurinos, cenários e fotografia. Para quem gosta de reparar nessas coisas, como eu, é um prato cheio.

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