Brienne, Arya, Sansa e as despedidas de Game of Thrones

Foto: Helen Sloan/HBO

Se o episódio Winterfell reposicionou a maior parte dos personagens para a oitava temporada de Game of Thrones (HBO), o roteiro de A Knight of The Seven Kingdoms foi marcado por despedidas. Parte do público não gosta dos episódios em que não se vai direto para a ação, ou pelo menos estranha que isso ocorra tão perto do final. Mas eu acredito que ele tenha sido importante para a humanização de personagens que acompanhamos por tantos anos, uma maneira de valorizar trajetórias construídas até aqui.

Além disso, momentos daquele tipo devem ocorrer mesmo quando tanta gente se reúne na noite que antecede uma grande batalha. Entendo de onde vem o estranhamento, mas gosto de episódios assim e até daqueles que praticamente abrem parênteses na narrativa principal para enriquecê-la com outras perspectivas, como foi feito pelos roteiristas de Westworld (HBO) no episódio em que Akecheta (Zahn McClarnon) apresenta sua trajetória.

Pensando apenas em Game of Thrones, lembrei de momentos como as cenas de Cersei Lannister (Lena Headey) e Sansa Stark (Sophie Turner) no episódio Blackwater, lá na segunda temporada. O que a personagem dizia, trancada no castelo enquanto a Batalha de Água Negra se desenrolava do lado de fora, também tinha importância para a impressão geral sobre a guerra.

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Jamie Lannister nomeia Brienne Cavaleira dos Sete Reinos após comentário de Tormund. Foto: Helen Sloan/HBO

 

Brienne

Entre as cenas do tipo, a reunião em torno da lareira entra na minha lista de momentos mais significativos de Game of Thrones. Foi interessante ver como o roteiro caminhou da conversa entre os irmãos Tyrion (Peter Dinklage) e Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau), com toda aquela atmosfera de balanço e despedida, para algo mais leve por causa das falas de Tormund Giantsbane (Kristofer Hivju), e daí para a emocionante consagração de Brienne de Tarth (Gwendoline Christie) como a Cavaleira dos Sete Reinos que dá nome ao episódio.

As expressões no rosto da atriz fizeram desse momento uma espécie de celebração de uma personagem tão interessante e dos caminhos que ela percorreu ao longo das temporadas. O modo como Tormund e Jaime participaram da história foi equilibrado, fez sentido pela relação que os três têm sem eclipsar o momento de Brienne. Algo que era “impossível” por causa da tradição se realiza por merecimento dela.

No mesmo salão, algo que poderia ser apenas uma estratégia para passar o tempo ganhou um significado especial para a série (adoro quando isso acontece). A música que Podrick Payne (Daniel Portman) canta, Jenny of Oldstones, que entrou na trilha sonora da série interpretada por Florence + The Machine, tem uma letra sobre uma mulher que dança com fantasmas.

Florence + the Machine – Jenny of Oldstones

 

A mulher em questão é Jenny das Pedras Velhas, interesse amoroso de Duncan Targaryen, que abre mão da coroa com o intuito de se casar com ela. Pode ser que a história dos livros de George R. R. Martin se repita com alguém na série – a possibilidade mais óbvia seria Jon Snow / Aegon Targaryen (Kit Harington) não ficar com a coroa e Daenerys Targaeryen (Emilia Clarke) terminar a série cercada de mortos e ruínas. Mas pode ser que a referência tenha sido feita por causa dos simbolismos da história, personagens lidando com fantasmas do passado em uma referência à memória.

Acho que a segunda alternativa combina bastante com as falas de Samwell Tarly (John Bradley-West) e Bran Stark / Corvo de Três Olhos (Isaac Hempstead-Wright) falaram sobre a memória quando todos se reúnem para discutir as estratégias que vão adotar na batalha que se aproxima.

Os diálogos deram um sentido à conexão entre o Corvo de Três Olhos e o Rei da Noite, o que tudo sabe e aquele que deseja destruir a memória de tudo que existe até então. Explicaram o que a morte e o grande inverno significam no universo de Game of Thrones. Aí está outro exemplo de uma cena que cresce quando são discutidos alguns elementos simbólicos. Em uma reunião sobre estratégias de guerra também se falou sobre vida e morte, memória e esquecimento.

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Cena sobre as estratégias de guerra cresceu com reflexão sobre vida e morte, memória e esquecimento. Foto: Helen Sloan/HBO

Arya

Muita gente teve seus encontros no episódio A Knight of The Seven Kingdoms, no qual até o lobo Fantasma reapareceu. Algumas conversas foram bem curtas, como as de Sor Jorah Mormont (Iain Glen) com Lyanna Mormont (Bella Ramsey) ou Samwell Tarly (John Bradley-West), servindo para explicitar conexões. Rápido, mas sensível, foi o momento em que Sor Davos Seaworth (Liam Cunningham) e Gilly (Hannah Murray) conheceram uma menina que o fez lembrar de Shireen Baratheon (Kerry Ingram).

Outras conversas levaram mais tempo, como a de Bran (Isaac Hempstead-Wright) e Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), que eu tomei como uma maneira de mostrar mais alguns elementos sobre o papel do Corvo e do Cavaleiro nesta história.

O trio formado por Sam (John Bradley-West), Jon (Kit Harington) e Edd Doloroso (Ben Crompton) representou a Patrulha da Noite na conversa deles, retomando a relação que estabeleceram naquela fase de suas vidas e até citando colegas que já morreram.

Além do núcleo da Muralha, o episódio também mostrou alguns dos “nômades” mordazes de Game of Thrones. Fez todo sentido para mim que Sandor Clegane (Rory McCann), Beric Dondarrion (Richard Dormer) e Arya Stark (Maisie Williams) ficassem por ali meio afastados das conversas mais emotivas, trocando farpas.

Por falar em Arya, vi como plausível o jeito bem direto dela falar e agir quando sentiu vontade de fazer sexo com Gendry (Joe Dempsie). Não me pareceu fugir da linha adotada para a construção da personagem até então, nada afeita a rodeios, nem acho que ela precisasse ser exclusivamente uma guerreira ao longo de toda a série.

Demonstrar sentimentos e desejos que vão além da missão que Arya ou Brienne possuem como guerreiras, não as diminuem em nada. De novo, acho que faz parte da escolha de humanizar personagens, mostrar suas camadas.

GAME OF THRONES S8 EP 2 (18) Arya Gendry
Cena de Arya e Gendry gerou muitos comentários entre o público. Foto: Helen Sloan/HBO

Sansa

Ainda comentando sobre as personagens femininas, Sansa também foi mostrada em momentos ternos ao reencontrar Theon Greyjoy (Alfie Allen), mas sua atuação como Lady de Winterfell segue presente na história. Ela aparece nas reuniões administrativas como parte de sua função e depois confrontando Daenerys acerca dos pensamentos dela em relação ao Norte.

Imagino que os desdobramentos do conflito entre elas sejam mais abordados logo após a batalha em Winterfell, junto com o questão da identidade dele. Estava tudo muito “amorzinho” até agora, mas Daenerys não aceitou muito bem a notícia e ainda duvidou de Jon, já que o irmão dele e o melhor amigo foram os mensageiros.

Junto com Sor Jorah, Sansa também foi contribui para que Daenerys reconheça a importância de Tyrion como Mão do Rei, mesmo após ele ter se enganado sobre o apoio prometido por Cersei. Ele assumiu o erro e a própria Daenerys acreditou na rainha Lannister…

Já disse algumas vezes que me agrada em Game of Thrones o fato de que nenhum personagem é perfeito para o posto que ocupa – seja alguém que batalha por ele, como Daenerys, ou que acaba indo parar lá sem ter desejado, como Jon. Também já escrevi sobre como os personagens se fortalecem em duplas, construindo elos que vão além do sangue e de uma relação harmoniosa.

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Hereditariedade não é a principal coisa que construiu a união dos personagens em Winterfell. Foto: Helen Sloan/HBO

Rei da Noite

No terceiro episódio da temporada, “a morte finalmente chegou”. O teaser mostra personagens como Brienne (Gwendoline Christie) e Verme Cinzento (Jacob Anderson) na linha de frente, o que pode representar o fim para eles. Como muito se falou sobre as criptas de Winterfell, é possível que algo trágico aconteça ali.

Também chama a atenção o fato de que o Rei da Noite não foi mostrado com seu dragão de gelo.

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