Livros em inglês, espanhol, alemão, italiano, árabe e japonês com download gratuito

Pela facilidade de acesso, e possibilidade de conhecer a pronúncia das palavras, muita gente costuma recorrer a músicas, filmes e séries quando está aprendendo um novo idioma ou deseja praticá-lo. Mas a literatura também pode entrar na lista de alternativas para expandir seu vocabulário enquanto conhece mais sobre a cultura dos nossos países – e há algumas opções com download gratuito disponíveis na internet.

Foi isso que primeiro me atraiu no projeto Literatura Livre, realizado pelo Sesc SP e Instituto Mojo de Comunicação Intercultural. A ideia é traduzir para o português, editar e compartilhar em formatos digitais obras que entraram em domínio público, criando uma coleção ’’cuidadosamente construída por meio de recortes temáticos com vistas ao contemporâneo’’.

Os livros são bilíngues e disponibilizados para download nos formatos ePud, Kindle e PDF, com ilustrações de André Ducci nas capas (acho o formato bilíngue bem prático para quem tem o objetivo de estudar um novo idioma já que nem sempre temos um dicionário mão). Eles podem ser acessados pelo site do projeto Literatura Livre, mas recomendo dar uma olhada também no site do Instituto Mojo, porque nele há mais e-books bilíngues disponíveis para download gratuito e livros físicos à venda.

Abaixo, compartilho parte dos textos de divulgação sobre as obras (os detalhes estão no site).

Sra. Fragrância Primaveril – Sui Sin Far

Título original: Mrs. Spring Fragrance (1912)

Português / Inglês

Tradução: Ricardo Giassetti

Empatia. Esta é a principal palavra para obra de Sui Sin Far, pseudônimo de Edith Maude Eaton (1867-1914). Nela, a autora retrata a vida dos imigrantes chineses durante o período da Chinese Exclusion Act (Lei de Exclusão dos Chineses), que, em 1882, proibiu a entrada de trabalhadores chineses nos Estados Unidos e atribuiu pela primeira vez ao poder federal daquele país a capacidade de definir a política migratória nacional – essa proibição vigorou até 1943. Foi exatamente nesse período que Sui Sun Far produziu uma obra onde esse grupo de imigrantes é apresentado em toda sua complexidade e em meio às mais diversas tensões raciais, religiosas e socioeconômicas. Os chineses desse romance são uma força necessária à economia local, mas ao mesmo tempo sofrem preconceito por seus costumes e origem. Suas tradições chocam-se com as da sociedade progressista californiana. Assim, Sui Sin Far aborda as diferenças culturais, de gênero, as lutas sociais e, surpreendentemente, aponta e ilumina recantos da alma humana além das diferenças físicas. Temas como a opressão feminina, a exploração sexual, o homossexualidade e outros, polêmicos até hoje, já se fazem presentes em seu trabalho.

Contos folclóricos africanos Vol. 1 – Elphinstone Dayrell, George W. Bateman e Robert Hamill Nassau

Título original: The Folk Tales from Southern Nigeria (1910); Zanzibar Tales (1901); Where Animals Talk (1912)

Português / Inglês

Tradução: Gabriel Naldi

A África é o berço da civilização e essa seleção de contos celebra sua cultura e influência, tão ricas e diversificadas quanto o próprio continente. Na África setentrional, as histórias de sultões e seres mágicos deixam entrever a influência moura; nas verdejantes florestas do Congo, sociedades de animais cuja inteligência sobrepuja à do ser humano; nas ilhas orientais, as alegorias morais das antigas civilizações tribais. Contos folclóricos africanos reúne histórias coletadas por exploradores, governantes e missionários europeus, em sua maioria contadas diretamente pelos nativos. São narrativas transmitidas verbalmente, de geração em geração, por provavelmente centenas de anos. Os contos revelam o folclore, crenças e códigos de ética africanos. Curiosamente, essa mitologia pré-colonização encontra ecos em muitas outras ao redor do mundo.

Contos folclóricos africanos Vol. 2 – Elphinstone Dayrell, George W. Bateman e Robert Hamill Nassau

Título original: The Folk Tales from Southern Nigeria (1910); Zanzibar Tales (1901); Where Animals Talk (1912)

Português / Inglês

Tradução: Gabriel Naldi

A África é o berço da civilização e essa seleção de contos celebra sua cultura e influência, tão ricas e diversificadas quanto o próprio continente. Na África setentrional, as histórias de sultões e seres mágicos deixam entrever a influência moura; nas verdejantes florestas do Congo, sociedades de animais cuja inteligência sobrepuja à do ser humano; nas ilhas orientais, as alegorias morais das antigas civilizações tribais. Tudo faz parte do mítico caldeirão que alimenta a cultura brasileira há séculos. Contos folclóricos africanos reúne histórias coletadas por exploradores, governantes e missionários europeus, em sua maioria contadas diretamente pelos nativos cuja língua só passou a ser escrita recentemente. São narrativas transmitidas verbalmente, de geração em geração, por, provavelmente, milhares de anos. Os contos revelam o folclore, crenças e códigos de ética africanos. Curiosamente, essa mitologia pré-colonização encontra ecos em muitas outras ao redor do mundo.

Contos sardos – Grazia Deleda

Título original: Racconti Sardi (1894)

Português / Italiano

Tradução: Adriana Zoudine

Grazia Deledda não é apenas uma das maiores escritoras da literatura italiana. Seus relatos sobre a vida de moradores das regiões montanhosas da Sardenha são uma espécie de antídoto para o nosso mundo digital de conectividade ininterrupta. Os contos compõem uma verdadeira ode à resiliência, nos quais são retratadas as vidas de personagens que lutam contra a crueza do mundo real, enfrentando a fome, as doenças e os infortúnios da vida. Um cotidiano no qual o pragmatismo obriga, em nome da sobrevivência, a superar a magia e superstição. Em seus Contos sardos, Deledda apresenta as peculiaridades de uma região da Itália que, além da natureza ímpar, é igualmente única em sua construção histórica. Encruzilhada do Mediterrâneo, a Sardenha já foi invadida e ocupada por romanos, espanhóis, franceses, piemonteses, sicilianos e árabes – não é por acaso que a bandeira da Sardenha leva em seu centro a imagem dos “quatro mouros”. Paradoxalmente, o isolamento desse povo insular é, ao mesmo tempo, o resultado de séculos e séculos dos mais diversos tipos de contato com outras civilizações. A própria Deledda, em uma carta enviada em 1892 para o escritor e linguista italiano Angelo de Gubernatis (1840-1913), escreveu: “Em breve lhe enviarei meu retrato: sou pequena, pálida e morena, um pouco espanhola, um pouco árabe, um pouco latina”.

Coração das trevas – Joseph Conrad

Título original: Heart of Darkness (1899)

Português / Inglês

Tradução: Ricardo Giassetti

Coração das trevas é talvez a análise mais profunda já feita sobre a comunicação intercultural e seus possíveis resultados; a relação dominador versus dominado se inverte e se subjetiva nesta obra que relata a viagem do jovem Charles Marlow ao coração do continente africano. A longa jornada rumo às estações de exploração de marfim da Companhia é regada de relatos sobre Kurtz, o homem mais respeitado dentre os europeus no território. Assim como atualmente as guerras internacionais passaram a ser travadas nos ambientes digitais, continuam os abusos de civilizações e culturas sobre as outras menos atentas, embora de maneira menos visível. A tomada de territórios e a exploração brutal de seus habitantes permanece intacta no século 21.

Crônicas do Japão – Toneri-no-miko e Ô-no-Yasumaro

Título original: Nihonshoki (720)

Português / Japonês

Tradução: Lica Hashimoto

Crônicas do Japão é o segundo registro escrito das histórias, mitos e lendas da civilização japonesa medieval. Importante fonte do pensamento Shintō e da história das primeiras famílias imperiais, Crônicas do Japão narra, por exemplo, a introdução do budismo no país e a Reforma Taika ocorrida no século 7. Os textos dessa obra têm suas origens em histórias orais. Escritos originalmente em chinês, fato que reflete a influência dessa civilização sobre o povo japonês, foram compilados em 720 por ordem da corte imperial. O objetivo era fornecer ao Japão uma história capaz de fazer frente aos anais dos chineses. Compilado por Ô-no-Yasumaro e pelo príncipe Toneri-no-miko, esta obra mescla lendas, mitos e a genealogia da família imperial. Ao entender as raízes alegóricas do Japão, cria-se uma ponte entre suas origens culturais e a contemporaneidade brasileira, que passou a receber imigrantes japoneses a partir de 1908.

El Zarco – Ignacio Manuel Altamirano

Título original: El Zarco (1901)

Português / Espanhol

Tradução: Renato Roschel

A América Latina é o cenário de uma história cíclica de pobreza, violência policial, preconceito, racismo, corrupção, arbitrariedades, territórios dominados por milícias e populações inteiras aterrorizadas pelo crime. Em El Zarco, o mexicano Ignacio Manuel Altamirano (1834-1893) apresenta esses elementos e suas correlações. O autor expõe um triste cenário socioeconômico bastante conhecido tanto no passado quanto no presente de praticamente toda nação latino-americana. O esplendor da natureza da bucólica Yautepec do século 19 é o cenário para o quadro de caos social no qual vivem seus moradores. Na obra de Altamirano os pobres sofrem nas mãos dos grupos criminosos, que intimidam, sequestram ou matam pessoas em nome dos seus interesses, e nas mãos do Estado, que representa uma ameaça real à liberdade e à vida dos cidadãos que não se curvam às suas arbitrariedades.

Histórias do tio Karel – Sanni Metelerkamp

Título original: Outa Karel’s Stories: South African Folk-Lore Tales (1914)

Português / Inglês

Tradução: Gabriel Naldi

Quando Sanni Metelerkamp publicou Histórias do tio Karel, em 1914, a África do Sul tentava superar um período de grandes turbulências: anos de conflito entre os colonos holandeses, os zulus e os britânicos. A chegada de povos de todo o mundo em busca de ouro e diamantes, juntamente com o advento das ferrovias, abria o país e mudava a sociedade. Metelerkamp temia que muitas das antigas tradições e histórias se perdessem e, portanto, registrou algumas delas para a posteridade. “Esses contos são propriedade comum de todas as crianças da África do Sul”, declarou a autora no prefácio, “e o são desde a primeira vez em que a região foi povoada, há milhares de anos”. São contos folclóricos do extremo sul da África, narrados por tio Karel, personagem quase arquetípico que ilustra o povo san e sua sabedoria resignada por séculos de conflitos, conquistas tribais e a colonização europeia. O livro traz também alguns contos da mitologia hotentote que, quando documentados pela primeira vez, encantaram os leitores com suas versões para a origem das estrelas e planetas.

O Leviatã – Joseph Roth

Título original: Der Leviathan (1938)

Português / Alemão

Tradução: Luis S. Krausz

Nissen Piczenik, um judeu do distante vilarejo de Progrody, vive como vendedor de colares e adornos feitos de corais. Homem honesto e comprometido com seu ofício – criar e comercializar suas belas “joias vivas” –, Piczenik nunca ousou sair de sua vizinhança. Porém, seduzido pelo antigo desejo de conhecer o mar, ele mergulha em uma aventura ao desafiar sua rotina e deixar para trás tudo aquilo que cultivou até então: sua freguesia e seu impecável artesanato. A breve ausência coincide com a chegada de um novo comerciante, um húngaro que milagrosamente vende corais mais belos e baratos. Assim, toda uma vida de comedimento se transforma em tragédia: ao deixar o lar para saciar o desejo pelo desconhecido e abandonar uma rotina sufocante, Piczenik é tomado pela inebriante vida de Odessa, uma grande cidade portuária com incontáveis navios; ao retornar, o analfabeto vendedor de colares de corais rende-se à chegada ao novo representado por seu concorrente poliglota de Budapeste. Assim como muitas das obras de Joseph Roth, O Leviatã combina culturas diversas. A história se passa em um vilarejo fictício da Europa Oriental, onde comerciantes judeus – com suas sinagogas, vestes de reza, jejuns e festas – convivem com camponesas e camponeses russos. Mas além da estética, as ideias judaicas estão presentes na transformação do protagonista, na citação do monstro marinho do Velho Testamento e na tentação do diabo representada pelo cosmopolita húngaro.

Os miseráveis – Aljâhiz

Título original: Albukhalâ’ (868)

Português / Árabe

Tradução: Safa Jubran

A literatura árabe é múltipla e riquíssima. O texto Albukhalâ’ (Os miseráveis), de Aljâhiz (776-869), é parte relevante dessa imensa produção cultural. Um dos maiores expoentes da prosa em árabe de todos os tempos, Aljâhiz, nesse texto, nos oferece uma das primeiras obras de ficção do mundo islâmico. Aljâhiz é um autor com aguçado poder de observação. Sua prosa possui um ceticismo alegre, um senso cômico e um olhar satírico que permitem conhecer melhor a psicologia de sua época. Além de erudito, carrega o prazer pela controvérsia, âmbito no qual o autor, em seu total domínio de um estilo claro e conciso, apresenta importantes traços do pensamento da sociedade de seu tempo. Os miseráveis é uma janela para a cultura islâmica medieval.

Pássaros sem ninho – Clorinda Matto de Turner

Título original: Aves sin nido (1889)

Português / Inglês

Tradução: Ricardo Giassetti

Com Pássaros sem ninho, Clorinda Matto de Turner elevou a figura do indígena a protagonista na literatura da América Latina. Também foi ela quem reivindicou o reconhecimento do quéchua como uma língua portadora de cultura. Defensora radical da tradição andina, a escritora sempre trabalhou para as principais publicações culturais do Peru. Acreditava que o quéchua deveria ter um papel constitutivo na vida da nação peruana e que os povos andinos tivessem uma posição central em um projeto político-nacional. A obra é uma denúncia social. Nela, Clorinda Matto de Turner narra como as mulheres peruanas indígenas lutavam contra as inúmeras injustiças praticadas então pelo poder público e por membros da Igreja. A história evidencia como os camponeses da região de Cusco sofriam e eram explorados. O imaginário povoado de Killac é o cenário para evidenciar, segundo a própria autora, a vida dos indígenas, nossos “irmãos que sofrem explorados na noite da ignorância” praticada e perpetuada pelos poderosos. Para ela, os povos e as tradições indígenas deviam ser reverenciados e defendidos a todo custo. Clorinda Matto de Turner nasceu em Cusco, a antiga capital do Império Inca. Desde o início, sua carreira como jornalista e escritora foi voltada para a defesa e a luta pelos direitos dos povos andinos. Pássaros sem ninho, sua maior obra, abriu o caminho para que vozes femininas, fortes e poderosas, se estabelecessem definitivamente na literatura peruana.

Viagens de Gulliver – Jonathan Swift

Título original: Gulliver’s Travels (1726)

Português / Inglês

Tradução: Renato Roschel

Obra mais famosa de Jonathan Swift, Viagens de Gulliver é um genial tratado de filosofia política. Em suas viagens, o personagem conhece diferentes regimes políticos e os analisa profundamente. Tudo isso é feito “com a pena da galhofa” e é exatamente essa capacidade que tornou Gulliver um personagem polêmico e um sucesso imediato. Em Viagens de Gulliver, Swift dispara sua fúria satírica contra a ciência, a sociedade, a economia, o comércio e a política de seu tempo. Até mesmo a decisão de escrever em formato de relato de viagem é uma resposta sarcástica ao sucesso que a obra Robinson Crusoé conquistava na época em que Swift começou a produzir o texto.

Com informações da assessoria de imprensa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s