Trilhas do Capibaribe permite conhecer a mata em volta da Oficina Cerâmica Francisco Brennand

A mata que circunda a Oficina Cerâmica Francisco Brennand costuma encantar quem visita o espaço cultural localizado no bairro da Várzea, zona oeste do Recife – isso desde a estradinha que leva ao museu/ateliê criado por Francisco Brennand (1927-2019). No entanto, para muitas pessoas, sejam elas turistas ou recifenses, a relação com essa área se limita a uma observação meio distante. Era o meu caso e, por isso, achei que participar do projeto Trilhas do Capibaribe seria a oportunidade perfeita para mudar a situação (para completar, o passeio tem acesso gratuito).

A iniciativa é realizada periodicamente pelo setor educativo da Oficina Francisco Brennand junto com integrantes do Coletivo Boi da Mata, um grupo artístico e ecopedagógico da UR-7. Consegui uma vaga para a trilha de maio, marcada para o sábado (07/05), das 9h às 12h. Como o espaço cultural começa a funcionar um pouco mais tarde, às 10h, havia uma lista de presença no ponto de encontro combinado, o café que fica logo na entrada. Bastava se identificar.

As inscrições foram realizadas previamente pela internet, com o preenchimento de um formulário divulgado pelas redes sociais (Oficina Francisco Brennand e Coletivo Boi da Mata). Os organizadores esclareceram que a procura pelas vagas é grande (foram 70 inscrições em 24h, segundo os educadores) e existe a intenção de atender a públicos diversos. Recebemos a confirmação por e-mail no dia anterior e quem fez a trilha não precisou pagar para conhecer os espaços expositivos da Oficina (na ocasião, o ingresso custaria R$ 30 ou R$ 15).

O formato da edição pode variar um pouco, caso a trilha esteja ligada a outras ações da Oficina – foi o que aconteceu em abril, quando houve a participação do artista e pesquisador Abiniel João Nascimento. O trajeto também pode mudar pela segurança do grupo, explicaram os educadores da Oficina, citando fatores como a possibilidade de haver árvores caídas no caminho – o nosso percurso incluiu uma passagem pelo Riacho das Pedrinhas, a oportunidade de experimentar algumas PANCs e um banho de cachoeira.

Além disso, cada experiência se torna única porque cada grupo terá suas peculiaridades  – e os organizadores do Trilhas do Capibaribe sabem aproveitar isso. Houve uma dinâmica para integrar os participantes antes, durante e depois da trilha (para os mais tímidos, calma, não é nada complexo, só não conto os detalhes aqui para não estragar a surpresa). Com isso, não me senti deslocada mesmo tendo chegado lá sem a companhia de algum conhecido.

Éramos cerca de 15 pessoas. Como havia uma praticante de yoga entre os inscritos, fizemos algumas posturas sob orientação dela durante o aquecimento para a trilha, formando um círculo no gramado (só com isso eu já me senti mais conectada à natureza, foi ótimo). A caminhada começou cerca de meia hora após o previsto, quando observamos que não choveria a ponto de comprometer a segurança das pessoas.

Antes de partir, recebemos algumas informações sobre o histórico da ocupação daquela região, incluindo algumas sobre o Quilombo do Catucá, que se espalhava pelas matas próximas  às áreas urbanas do Recife e de Olinda no século XIX (atualmente, as terras onde funcionava o antigo do Engenho São João da Várzea pertencem à família Brennand).

Iniciamos a caminhada quando caía apenas um chuvisco e percorremos o caminho com tranquilidade. A atividade é voltada para pessoas que tenham de 18 a 60 anos e o percurso previsto tinha cerca de 5 km. Algumas subidas e descidas depois, chegamos à cachoeira e fizemos uma pausa. Tempo suficiente para entrar na água ou fazer um lanche sentado nas pedras (sem esquecer de trazer o lixo de volta, claro). A volta para a Oficina também ocorreu em ritmo tranquilo, perfeito para quem gosta de ficar em silêncio, percebendo os sons e aromas da natureza, algo cada vez mais raro perto dos grandes centros urbanos.

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